COLCHA DE RETALHOS


VÕ, eu ficava a te olhar noite adentro, e via teus olhos tristes, teu semblante perdido nas horas noturnas, enquanto você emendava os retalhos coloridos, Ouvia, o barulho da velha maquina de costura misturando com teu suspiro e com tua lagrima sozinha rolando pela face tremula e assim, VÕ, os retalhos coloridos iam se juntando ao serem emendados!
-VÕ, você terminou a colcha?
-Neto, filho mais que o filho, carne da minha carne, hoje tão feliz lhe respondo: a colcha esta pronta!! Os retalhos coloridos foram emendados.
-Cada retalho representa um pedaço de mim e costurando-os, formou a minha vida! Vê se essa cinza pálida, sozinho, e a tristeza de meus dias, indo embora no entardecer solitário... A garça triste sem os filhotes.
Ah! Tem esse vermelho desabrochaste representa os bailes, os meus bailes e de belos cavalheiros, como a musica que da renovação ao viver! E lindos namoros na persistência de sair de solidão inconstante.
Tem esse roxo, e tão amargo vê-lo, como a dor da perda de pessoas queridas, o luto que passei obrigatoriamente, e não quis vivenciar.
Apenas deixei passar, seria melhor! E depois foram lagrimas de tanta dor, como navalhas cortantes invadindo a alma, sangrando o coração de filha amada...
O retalho preto e aqueles dias negros, amargos e sofridos, onde faltava grana, faltava à esperança de sobreviver às tempestades, e às vezes a moral da alma que e cobrada, sofrida, no intimo de si próprio, pela vida e sua sociedade condicionada, nas escaladas de degraus de nossas vidas.
A cor metálica representa o brilho das noites de glamour.
O amarelo é o sol que sempre nos brilhou, o verde e a esperança tingida nesse tom que conforta e o azul é a garra, a determinação de alcançar um lugar ao sol, de brilhar no trilho da escalada! E viver por sonhar!Pois meu neto, enquanto sonhamos e acreditamos nos resta a vida de presente de deus!
Correr pela selva humana, ser fera! Ser loba e sobreviver!
O retalho branco e o anjo que vinha sorrateiro com asas e plumas abanar e sorrir nas minhas horas de solidão e agonia. Meu neto as lágrimas foram tantas e as dores desafios, o tempo foi exemplo, na virtuosa insinuação da vida -Meu neto você tão pequeno, entende de retalhos emendados? Você entende de representações de vida? Você entende de colcha de retalhos?
-Quem sabe minha avó, eu entendo de vida e de tudo um pouquinho. Apenas quero entender porque você agora sorri com essa linda colcha de retalhos, depois de costurada.
-Meu neto, juntando todos os retalhos, sobras de tecidos de todas as cores foi formando a colcha, foi juntando pedaços de vida.
A minha vida!
São cores bonitas e feias
Alegres e tristes
A colcha subia e descia, no costurar.
Como a vida da gente
Nas tuas mãos pequenas
E a deposito como presente de vida!
Colcha tem erros que consertamos
E da certo,
Mas na vida, nem sempre há remendos, e nem sempre há consertos...
Junto {a colcha de retalhos}
Que lhe entrego
O seu perdão
Pelos meus erros
Pela minha vida!


BÁRBARA PEREZ



 

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