COPA DO MUNDO DE FUTEBOL/1986


Seleção brasileira desclassificada da copa do mundo de futebol de 1986. O povo brasileiro, em todo território nacional, estava revoltado. Perdemos na disputa de pênaltis.
Mané Felizardo, já morando em Calçado, salvo engano, vizinho da Olinda do Carlos Barroso, alheio a tudo que se referia a futebol, estava sentado no banco da cozinha de sua casa, saboreando uma “purinha”, pensativo em nada, quando “entram casa a dentro” as meninas Célia e Regina, suas filhas, procurando pela mãe, dizendo: “Mãe, a coisa ta ficando feia. Deu na televisão que o povo vai dar uma surra no Telê Santana, quando ele chegar”.
Mane Felizardo, pula do banco, espantado, dizendo “Meninas onde cêis escutaram isto”? Responderam as meninas “todo mundo tá dizendo em Calçado, pai”.
Apreensivo, Mane Felizardo ordena “Meu Deus, Teresa, reúna os meninos, manda chamar o Joãozinho também. Junte foice, catana e mais o que tiver e vamos pra lá. Desamarra as pernas meninas. Vão chamar seus irmãos depressa”.
“Ta ficando doido Mane”? argüiu Teresa. “Teresa , minha filha. Não podemos perder tempo. “Cêis” não tem coração? Na cumadre ninguém encosta a mão. Mulher direita, bondosa, não mexe com a vida de ninguém, uma santa. Vamos depressa gente. Temos que primeiro que o povo e nós vamos a pé e não é perto. Teresa, nós vamos na frente para adiantar e as meninas vão pra trás com os meninos. Não demore. Na comadre não batem não”.
“Mane, que comadre ´esta”? “Com efeito Teresa, as meninas não chegaram falando que o povo está revoltado e quer bater na comadre Teresa do Santana (uma senhora que residia lá pelas bandas das Palmeiras), ora esta”!
Rindo às gargalhadas, Teresa explicou: “Mané, Mane, não é na comadre Teresa do Santana que querem bater. É no Telê Santana, técnico do Brasil”.
Mané Felizardo, aliviado, mas ainda assustado e sem entender nada de futebol concluiu:”Neste caso, vou tomar mais um gole”.

 

E POR FALAR NA ‘PURINHA’...


Corria o ano de 1993. Era uma sexta-feira de carnaval. Estávamos em Guarapari e encontramos, na praia das castanheiras, com a Geralda, filha dos tios Euclides/Enoi. Conversa vai, conversa vem, ela nos perguntou por nossos filhos e dissemos que a menina estava fazendo o segundo grau em Bom Jesus e o menino cursava Direito no Rio de Janeiro. E, a propósito, disse a ela que estava precisando transferi-lo para Campos, onde as despesas seriam bem menores, mas não sabia por onde começar. Ela, interrompendo-me, disse que eu iria falar com a pessoa certa. O seu genro, Dr.Sebastião Rugier Boleli, era Juiz de Direito em Campos, professor e muito amigo do Dr.Levi Quaresma, diretor da faculdade de Direito de Campos. Disse-me para ir ao apartamento do Dr.Boleli, em Guarapari, no sábado à noite, para conversarmos. Combinamos horário e tudo bem.
No sábado, pela manhã, reunimos algumas famílias amigas e fomos para a praia dos padres, entre Nova Guarapari e Meaípe, recanto espetacular. Éramos cinco casais com os filhos. Por lá passamos o dia todo fazendo churrasco e bebendo cerveja. O embriago dos homens foi tão grande que no final do dia, já escurecendo, pusemos fogo na praia, provocando um pequeno incêndio que foi contido pelos donos dos quiosques. Saímos fugidos
À noite, por volta das 20 horas, conforme combinado e ainda não refeito do porre, causado pela mistura de cerveja com a deliciosa marvada da cachaça, chegamos ao apartamento do Dr.Boleli. Muito embora ele fosse casado com minha prima e cliente da minha agência do Banco do Brasil, não tinha nenhuma intimidade com ele. Mas, como bebida alcólica cura tudo (finanças, febre, timidez etc.) entrei descontraído
Fomos convidados a entrar e tomarmos um lugar à mesa, onde ele e a família lanchavam. Foi-nos oferecido um lanche, mas não aceitamos. Eu não podia nem ver comida.
A mesa, estilo colonial, com aproximadamente uns 3 metros de comprimento por 1 de largura era completada por cadeiras do mesmo estilo, muito pesadas, e possuíam em seus encostos, dois tornos, no alto, um de cada lado. Assim, era toda a sala.
Eu, no meu grau etílico, apesar do peso dos móveis, podia jurar que estavam se mexendo.
Conversamos durante mais ou menos uma hora, no inicio, só amenidades, e por fim entramos no assunto que ali havia-me levado. Dr.Boleli, não prometeu a transferência, porém, disse-me que não mediria esforços para consegui-la, acreditando que tudo daria certo.
Assunto encerrado, levantamos para despedirmos e, mania de mocorongo, achei de empurrar a cadeira para embaixo da mesa, forçando com o joelho para a frente e levantando a cadeira segurando com as mãos os 2 tôrnos, eis que, para meu assombro, a cadeira ficou no chão e os tornos se soltaram do encosto e eu fiquei como que empunhando 2 punhais. Os braços no alto, esticados, com as 2 peças e a cadeira inerte. Para piorar a situação, exclamei, em alto e bom som: “puta que pariu, que merda que eu fiz”. Eulina, minha esposa, morrendo de vergonha, chamou-me a atenção. O pessoal da casa gostou da minha naturalidade. Mesmo porque, para os Vieira de Rezende certos palavrões não significam falta de respeito.
Saímos dali satisfeitos com o desenrolar da conversa e eu procurando os companheiros para mais uma cervejada, agora mais aliviado.
Final da história: a transferência saiu.

Guido Rezende
guidorezende@hotmail.com



 

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