DIAS DE ILUSÕES NA LÍNGUA SEM TRADUÇÃO.



À minha estimada ex-professora, Martha Fonseca.

A lágrima outonal jaz gotejando na gotícula da chuva torrencial, que pende através dos campos de guerrilhas nos quais as labaredas ardentes perduram. Uma linha redigida, o sibilar do austro causa receio à cidade, na imensidão da calada da noite, em alguns becos sombrios, jovens delinqüentes perambulam com intento de um novo crime, sem deixar dados digitais.

O dia desponta, as pessoas seguem seus caminhos, os flancos revelam um lado “Senhores de Si”, os agentes secretos inquirem o assassinato da última aurora, que se tornará outra página de arquivo. Às vezes, os inocentes são condenados à pena de morte, tentam patentear até o fim que não são criminosos, e que embora tudo, são atirados à câmara de gás.

Ainda assim, os culpados prosseguem à solta, mas, como faz prevalecer que a justiça não tarda, em um dia de sangue, terminam mortos à beira de um abismo. Os cientistas renovam-se, querem o mundo, provar que o universo originou-se de acidente. São retratos de ateísmos, figuras de duendes que guardam no íntimo de seus egos, os mais frívolos pensamentos.

Eis que tudo tem sua cota, que as bombas que destruíram Hiroxima e Nagasaki, os mísseis, enfim, os materiais bélicos, foram projetados para deixar rastros indeléveis, as quais mais tarde seriam reféns do preço da guerra.
Uma filáucia no protelar do extremo do montanhês, o educado dragão da montanha azul, reflete cabisbaixa sobre os horrores nas nações. Essas ilustrações marcham pelo reinado azul, transferindo-se à pátria uma mancha vermelho-sangue, na 6 ª avenida. O robusto dragão, às vezes, chora demasiadamente, tendo medo que o verde, que tão pouco resta, torne-se um mundo negro. À noite, reza a Deus para que os homens mudem seus feitios, esquecem o lado egoísta assassino e, que façam algo para recuperar o tempo perdido.

Trindade universal falece a paz, não há tréguas e misericórdia em um ponto cruciante do finar do texto. Toca lentamente uma canção sem emoção, o sexto sentido metralha as faixas das lideranças políticas, aprisionando-se na dor de uma espada, saboreando amargamente na taça o sangue de sua honra. Sinto uma melancolia profunda, sei que nada posso fazer para mudar os eixos do mundo. Sim, há algo que me corroí e faz que eu me torne cego, pois é um fruto do que restou de uma guerra de poder, em um país da África chamado Somália, onde vive o amargo sabor dos embates passados.

Na TV, as cenas são comoventes, já não bastassem as do povo da Etiópia, que chocaram todo um planeta. Quanta fome há lá, pobres irmãos finos quanto à uma agulha, os quais morrerão em um total de 4 milhões. Não tem o que comer, apenas terra com um pouco de arroz que disputam na fila de longo meses. Assim espero pelo futuro, sim, o amor, a justiça divina, pois mantenho esperanças e creio em um Deus e que em dias sem tradução, eu traduziria literalmente na língua do carinho e da sensibilidade.

Sérgio Oliveira*

*O AUTOR É POETA, ESCRITOR, TRADUTOR E MEMBRO DA ACL, ACADEMIA CALÇADENSE DE LETRAS.


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