Era uma segunda-feira, daquelas bem comuns, não fosse
o meu primeiro dia de férias. Saí de casa e fui
ao Plaza Shopping em Niterói, com o objetivo de entrar
numa agência de viagens e comprar um pacote para Porto
de Galinhas, em Pernambuco.
Quando
passava em frente à Praça Araribóia, me
vi envolvido numa confusão de arrepiar. Ouvi alguém
gritar: “broinha”, “broinha” “broinha”...!
Quando eu olhei, assim meio preocupado de ser comigo aquela
gritaria toda, e constatei: era eu mesmo a vítima.
Cacilda,
Matilda e Cremilda gritavam e corriam na minha direção
e eu com os olhos arregalados não consegui nem me mexer.
Resultado: me alcançaram e aí começou a
minha aventura das férias, que aliás foram muito
emocionantes (as férias).
Para quem não conhece, estas são as famosas Mulatas
do Petronio,
fotografadas com exclusividade para O BROINHA.
Lascaram
logo a primeira pergunta:
- Pronde é qui ocê vai, sô?!
- Vou pra Porto de Galinhas, em Pernambuco...
Sem pudores, mandaram a segunda:
- Eita... é o lugar certim pra nóis... podemo
ir tomém?
E
foi aí que cometi meu maior erro. Um erro que acabou
sendo o maior acerto. Erro porque o Petrônio da Portela
jamais iria me perdoar. E acerto porque foi o início
de uma grande amizade e de uma farta aventura.
Mas
aí veio uma baixa: a Cremilda foi logo dizendo: - Eu
num vô, qui eu quero ficar cum o FCastro. Daqui eu vórto
direto pra Anchieta. Ceis duas podi ir. Chau!
Virou
as costas e se mandou. Cara de sorte esse FCastro!!!
E
assim, embrulhei no pacote da viagem aquelas duas criaturas
fantásticas, Matilda e Cacilda, que logo se prepararam
para a viagem, como vocês podem ver na foto.

Chegando no Porto Delas, foram logo se misturando na multidão,
o que me deixou preocupado. Como eu as encontraria depois.
-
Num si procupe cum nóis, qui a gente acha ocê.
Vai si diverti...
Então
relaxei vendo-as se misturando no meio daquelas outras mulatas
que lá estavam. Elas realmente estavam “em casa”,
como se diz por aí. Pareciam estar na cidade Natal.


Eu
nem consegui mais vê-las naquela multidão. Me instalei
num Resort, imaginando que elas viriam ter comigo, que iriam
querer dormir num lugar confortável, mas qual o quê,
elas queriam mesmo era farra. Dormiam sei lá onde, com
sabe lá quem. Votavam no dia seguinte para contar as
aventuras, as quais nem me atrevo a comentar aqui. Mas sabem
que só de saber que estavam tão à vontade
e tão felizes, eu fiquei bem.
Durante
alguns dias saímos em passeios, fomos a Recife e a Olinda.
Em Olinda aconteceu o mais engraçado: As duas mulatas
correndo atrás do Alceu Valença por aquelas ladeiras.
Me surpreendi como um cara com jeito cansado como o Alceu pode
correr tanto. Acreditem, elas não o alcançaram.
Deve ter sido por cansaço das noites anteriores.
Quando
se aproximava o dia do retorno, elas vieram com uma conversa
esquisita, que não viriam comigo e coisa e tal, que precisavam
ficar porque arrumaram um emprego lá e que ficariam por
lá algum tempo ainda.
Eu
disse que não tava certo, que o Petrônio ia me
matar, que o Coronel X ia mandar me caçar, enfim, argumentei
como pude. Mas nada adiantou. Elas ficaram. Eu ainda fui atrás
delas para ver que emprego era esse que as fez desistir de voltar
comigo e fiquei até contente com o que vi. Era emprego
decente, mas do jeito que elas gostam. Elas gostam mesmo é
de estar no meio do povão. Fiquei feliz por elas, mais
ainda porque mandaram o seguinte recado pro Petrônio:
-
Diz pro Pápi qui logo logo nóis vórta...
e qui nóis ama ele...

E assim, terminou minha aventura, de dar inveja a qualquer pistascídeo
emplumado.
Niterói,
Fevereiro de 2008
Antonio
Claudio Medina de Almeida
antonioclaudio@broinha.com.br
