Havia em Bom Jesus, hoje já falecido, um senhor chamado
Geraldo Bastos Santiago, mais conhecido pela alcunha de Geraldo
Café em Pé. O apelido é decorrente de seu
comércio: um pequeno estabelecimento onde as pessoas
freqüentavam para saborear um delicioso café, servido
em pequenas xícaras brancas com contornos azuis, só
que tinha que ser em pé, não havia lugar para
colocar mesas, nem cadeiras altas no balcão. Geraldo,
pessoa muito bem quista na sociedade, casado com D.Laíla
e pai de um casal : Tarcisio, hoje médico e Márcia,
esposa do Dr.Carlos Augusto. Suas brincadeiras, piadas e presença
de espírito eram sempre comentadas nas rodas de pate-papo.
Era sofredor do Botafogo, aquele que se acha merecedor de ser
vice do Flamengo. Apresentação feita, vamos ao
fato. Após sua aposentadoria, Geraldo, aguardava ansiosamente
o término do expediente comercial, para juntamente, com
o Hélvio Tarouquela e Passalini, ir ao Bar Rio, em frente
à sua casa para beber uma boa aguardente. Muitas vezes,
com mais acompanhantes, iam para a chácara do Hélvio,
no Parque das Águas, e, dentro da piscina de água
natural e corrente, ficar conversando e bebendo a “purinha”.
À noite, retornavam para suas residências e Geraldo
ia dormir e, sempre, no dia seguinte, sua esposa reclamava do
bafo de cachaça da noite anterior. Pedia, recomendava
para que ele abandonasse aquela maldita bebida, pois estava
ficando intolerável aquele bafo em seu rosto, todas as
noites. Certo dia, ela sugeriu a ele que ao invés de
bebida, comesse uma fruta. Ele achou a idéia brilhante
e a colocou em prática. Todas as noites após a
bebedeira, chupava umas três mexericas, daquelas caipiras,
candongueiras. Não foi o suficiente, pois ao final da
quarta noite, D.Laíla, suplicou:”Geraldo meu filho,
por favor, volte para a cachaça.”
Guido
Rezende
guidorezende@hotmail.com
