Assim se expressava, carinhosamente, o cancioneiro homenageando
seu pai. E, tomando a frase por empréstimo, rendo homenagem
a meu querido, meu velho, meu amigo e meu Coronel Agostinho
Boechat, já falecido, de Pirapetinga,, que contava já
com idade avançada, aproximando de seus noventa anos.
Quem não me conhece, decerto dirá tratar-se de
demagogia, tendo em vista a diferença de idade entre
nós. Porém, os que convivem comigo, partirão
em minha defesa.
Conheci “Seo” Agostinho quando eu era ainda bem
criança e ele já homem feito, pai de família.
Invariavelmente, todas as vezes que ele ia ao Banco do Estado
do Rio, em Bom Jesus, tratar de negócios, chegava à
nossa casa. Morávamos na 15 de Novembro, bem em frente
ao Banco. Quase nunca entrava. Chegava à porta da loja
de meu pai para cumprimenta-lo e à minha mãe.
E, mais tarde, quando já não tínhamos mais
o comércio, batia na janela para um aperto de mão.
Aquilo marcou-me bastante, pois via naqueles gestos a adubagem
de uma amizade antiga e sincera. “Seo” Agostinho
chegava sempre em um jeep, acompanhado de uma criança
que não sei informar qual era de seus filhos. Meus pais
relatavam os bailes e festas que participavam juntos, ocasiões
em que ele demonstrava ser um exímio dançarino.
Era um cavalheiro, um fidalgo.
Fiquei muitos anos sem vê-lo, tendo em vista minha mudança
para a Bahia. Muito tempo depois, já no final de minha
carreira de bancário, tive a satisfação
de atender meu Coronel, em nossa agência de Bom Jesus,
dando-lhe atendimento VIP, não só por ser nosso
cliente, mas, principalmente, por respeito e admiração.
Com sua presença, parecia estar perto de meus pais, já
falecidos. O atendimento que lhe dispensava era muito maior
do que o de um simples profissional. Eu lhe dizia “comigo
o Coronel não espera, manda”. Lucinha, sua filha,
disse certa vez “por isso que papai está com mania
do Banco do Brasil. Vocês só faltam carrega-lo
no colo”.
E o tempo passou. A última vez que conversei com ele,
foi num Sete de Setembro, quando eu passava por Pirapetinga.
Vi seu filho, Dr.Agostinho, sentado ao seu lado no degrau da
casa. Já estava numa cadeira de rodas, bem fraquinho.
Desci de meu carro para cumprimenta-lo, invertendo os papéis
de quase 50 anos. Após os cumprimentos, Dr.Agostinho
e meus acompanhantes foram para o bar do Beto. Eu fiquei mais
um pouco. Quando me preparava para sair, ele segurou em minha
mão e com seus lábios em murmúrios sensíveis,
mais parecendo uma prece, disse “fica mais um pouco comigo”.
Não pude negar. Lembrei-me, mais uma vez de meu pai,
quando já no final de sua vida, temia ficar sozinho.
Certo dia chegou a notícia que não queríamos
ouvir “faleceu Agostinho Boechat”. Fui para Vargem
Alegre, nome antigo de Pirapetinga. No sepultamento, disse ao
seu filho Jacinto “vou fazer uso da palavra”. Mas
não me permiti aquele instante, pois via no povo o desejo
de ficar ao lado daquele que foi uma bandeira do quinto distrito.
Hoje, tenho a alegria de poder contar com a amizade de seus
filhos. Temos alguma coisa em comum. O lado profissional do
Dr.Agostinho e o saudosista do Dr.Norberto. O lado irrequieto
da Lucinha e o lado boêmioe seresteiro do Jacinto. Mas,
a mania que todos temos em comum, é a de gostar da nossa
sempre querida Vargem Alegre, terra de minha mãe.
CASAMENTO
COM BELA RECEPÇÃO
Não recordo a data precisa, mas posso adiantar que foi
nos anos setenta, mais para o final. Eu e Eulina fomos convidados
para um casamento numa cidade do interior, mais ou menos próxima
de Bom Jesus. Não tínhamos nenhuma convivência
com os noivos, nem sabíamos quem eram os pais da noiva,
do noivo sim, mas sem conhecimento. O convite nos foi feito
mais em função do cunhado do rapaz, que era pessoa
muita ligada a mim. Era uma manhã de sábado e
fomos para a igreja. Cerimônia simples e rápida,
bem ao meu feitio. Sou de opinião que se todas cerimônias
fossem de no máximo meia hora, a freqüência
seria me maior. Mas, voltando ao casório. Terminado o
casamento na igreja, noivos e familiares felizes, juras de amor
mais do que prometidas, fidelidade total etc., fomos para a
recepção. Era um almoço a ser servido na
propriedade rural do pai do noivo, onde residia. Quando chegamos
o terreiro já estava repleto de convidados. Aguardamos
um pouco até a chegada dos nubentes que estavam tirando
retrato. Assim que chegaram, fomos convidados para o almoço.
Para nossa surpresa e espanto o local preparado era no galinheiro.
Lógicamente, caiado e limpo, com várias mesinhas
e respectivas cadeiras, muitas por sinal. Adentramos o recinto
e falei com a Eulina “vamos ficar nesta mesa perto do
portão, pois o nível da bebedeira já está
alto e não demora muito pode haver uma briga sem precedentes
no galinheiro e até conseguirmos encontrar a única
saída podemos nos machucar”. Não deu outra,
o pau cantou no galinheiro. Foi cadeira, mesa, pratos etc. voando
pra todo lado. Saímos logo, entramos no carro e viemos
embora. Soube, no dia seguinte, que fecharam o galinheiro por
fora e chamaram a policia..
Guido
Rezende
guidorezende@hotmail.com
