A música não tem somente a poesia e melodia que
nos encantam. A música é capaz de nos transportar
no tempo, nos levar a lugares e a alguém com quem já
vivemos em épocas passadas. Trazem recordações
de momentos que tivemos, mostrando as marcas deixadas em nossa
mente.
Não
importa o tempo que se passou. A música nos leva ao passado
e é capaz de nos trazer uma lembrança clara de
fatos vividos. Não importam, também, os lugares.
Longe ou perto, nos deslocamos em segundos e lá vamos
parar ao ouvirmos determinada música. Basta um fechar
de olhos para sentirmos esta magia que só a música
tem.
Para
a maioria das ocasiões em que vivemos existem músicas
que, como pano de fundo, são incorporadas aos acontecimentos
e que, independente de nossa vontade, serão o elo de
ligação entre o presente e o passado e, ao serem
ouvidas, ou nos trazem um bem estar muito grande, ou nos fazem
sofrer, dependendo de cada situação.
Para
alguns casos, certas músicas parecem feitas pra gente,
mesmo não tendo sido ouvidas durante os episódios
em que esses casos ocorreram. São fatos comuns vividos
por muitas pessoas, mas sempre imaginamos que só acontecem
com a gente.
Sempre
vai haver uma ligação muito forte entre as letras
das músicas e os fatos que marcaram a vida das pessoas,
uma vez que as músicas, com raras exceções,
sempre são feitas com base em acontecimentos onde o amor
está envolvido e que a maioria dos compositores prefere
relatar as perdas e danos causados por relações
desfeitas.
Assim,
ao ouvir hoje uma música (cantada pela Alcione), lembrei-me
de fatos recentes ocorridos comigo, embora essa música
tenha sido composta há muito tempo.
“De
amor eu não morro,
O que eu posso é chorar de saudade.
Mas, depois vou tentar refazer
Minha felicidade.
Entreguei minha vida a você
E você jogou fora.
Fez de mim o que quis, me usou
E depois foi embora.
Deixa o tempo passar,
Você vai perceber
Que fazendo o que fez
Só jogou pra perder.
Vai lembrar dos momentos
Que a gente viveu.
Que ninguém te amou como eu...”
“...
E aí, pode ser que meu mundo
Não esteja mudado.
Mas também pode ser que outro alguém
Já esteja ao meu lado.
Me dizendo as palavras de amor
Que você me dizia.
Desfrutando de todos os sonhos
Que eu te oferecia.
Ocupando o espaço que você deixou,
Aceitando a paixão que você renegou...”
Logo
depois, ouvi outra música (cantada pela Elba Ramalho)
que, embora seja mais recente, me fez lembrar de coisas ocorridas
há mais tempo.
“Meu
coração pulou.
Você chegou, me deixou assim.
Com os pés fora do chão.
Pensei: que bom.
Parece que acordei.
Para renovar meu ser,
Faltava mesmo chegar você.
Assim, sem me avisar,
Pra acelerar um coração
Que já bate pouco
De tanto procurar por outro.
Ainda cansado,
Mas quando você está do lado,
Fica louco de satisfação.
Solidão nunca mais.
Você caiu do céu.
Um anjo lindo que apareceu.
Com olhos de cristal,
Me enfeitiçou.
Eu nunca vi nada igual.
De repente,
Você surgiu na minha frente,
Luz cintilante,
Estrela em forma de gente...”
Quem
não tem um momento sequer que, ao ouvir uma música,
lhe traga recordações boas ou ruins? Quem não
é capaz de se deixar levar nas asas das músicas
ao passado, ou a algum lugar, ou, ainda, ao encontro de alguém
que lhe tenha deixado saudades?
Muitas
músicas, também, como nos contos de fada, conseguem
transformar em fantasia uma realidade que não existe,
conseguem alimentar muitos sonhos que parecem impossíveis
e trazem um prazer enorme às pessoas que têm sensibilidade.
Outras, no entanto, sem o tempero do romantismo, levam multidões
ao delírio. Essas também têm sua magia.
Muitas
músicas nos fazem lembrar de quando éramos crianças
e a ouvíamos cantadas por nossos pais, em momentos de
rara felicidade. Eram cantigas de roda, de ninar e outras nas
festas juninas, que alegravam as noites de frio, entre um rojão
e outros. As natalinas, além de falarem do menino Jesus,
nos traziam o encanto daquelas noites em que ficávamos
ansiosos por brinquedos trazidos pelo papai Noel.
Sonhos
que viraram realidade e outros que não passaram de apenas
sonhos, todos voltam através das músicas e estas,
por mais insensíveis que sejam algumas pessoas, sempre
irão fazer parte de nossas vidas.
Marcio
José Furtado