O banho de rio em Calçado


Não sei ao certo que ano era, mas certamente aconteceu no milênio passado. Após algumas idas a Calçado para matinês e bailes nos carnavais do Montanha Clube, resolvi convidar alguns amigos de Vitória para desfrutar de um final de semana na cidade.

Saímos de Vitória em uma sexta-feira à noite e nos hospedamos em uma pensão na ladeira que leva à praça. Além de mim, foram o Sandro, o Badé e o Alemão, este o mais velho, dirigindo sua Brasília branca.

Como naquele ano, por ocasião do carnaval, havia conhecido o banho de rio da Fazenda Velha, não hesitei, logo no sábado, parti com meus amigos para aquele local. O dia estava perfeito, sol a pino e a disposição de quatro jovens por novidades. Não havia prevenido a turma sobre a possibilidade de um banho de rio, portanto estávamos todos desprevenidos quanto a roupas de banho. Os três não esperaram por nada e já foram logo tirando as camisas, os shorts, e só de cuecas foram direto para dentro do rio.

Não sei o porquê, talvez por já conhecer aquele local, mas não fui tão ávido como eles e fiquei um tempo por ali, às margens do rio.

Foi então que percebi um carro se aproximando. Ao parar, desceu um jovem senhor, que mui educadamente nos cumprimentou e foi se identificando como o proprietário daquele local. Obviamente, pelo tempo passado e o nervosismo que me acometeu naquele momento, não me lembrarei do nome daquele homem. O certo é que pressenti que havia me metido numa enrascada.

Então ele foi dizendo que há poucos dias havia ido ali com sua família e que encontrou um grupo de jovens fazendo uma grande algazarra e que após retirá-los dali, resolvera proibir os banhos de rio no local. Tentei argumentar que éramos de Vitória, que não sabíamos de tal ordem.

O que me estava agoniando era o fato dos três dentro do rio estarem somente de cuecas e o homem justamente falando de jovens fazendo bagunça. Foi aí que apelei para a parentada, disse que era filho da Maria Tereza Garcia Mendonça, neto do seu Walter Mendonça e da dona Sofia Garcia, esta irmã de dona Mercês, viúva do tio "Zinho" (era como eu chamava o tio Pedro Vieira), falei do tio Pedro Mendonça, da dona Elcida, da Penha Mendonça, da tia Filhota, do tio Milton Garcia, da Cristina, do João Bosco, foi tanta gente que nem me lembro mais, acho que falei até do primo padre Paulo Pedro Seródio Garcia. O meu objetivo era simples, tentar fazer com que ele nos deixasse ficar ou que no máximo nos pedisse para sair e fosse embora.

Mas minha tentativa foi em vão. Apesar de conhecer todo mundo, mesmo que só de nome, o homem não aliviou a barra, exigiu que saíssemos de sua propriedade. Foi aí que aconteceu o que eu temia, os três vendo também que não tinha mais jeito saíram de uma só vez do rio, se exibindo de cuecas. Vestiram as roupas, entramos no carro, pedimos desculpas e partimos.

Minutos depois, passado o susto, não nos agüentamos e caímos na gargalhada, lembrando da cara daquele homem ao ver três marmanjos de cuecas saindo do seu rio.

Tadeu Mendonça Bianco
dibianco@ig.com.br



 

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