VELHAS HISTÓRIAS NAS NOITES DE VELÓRIO


As histórias que desde crianças escutamos, ficam cravadas nas memórias, porque criança é autêntico, sábio, na sua tonta timidez, dissimulando os adultos. Dentre tantas que,
Ouvi, e por sinal é verdadeira, gosto de saborear o sentindo dessa história, talvez seja o fato de que tenha sentimentalmente, entrado na cabeçinha da criança de olhos aflitos, e
Devorado sua curiosidade. Lá pelas bandas do sítio rochedo, entre o “limão, e conceição
Do muqui” dois pequenos distritos de Minoso do sul,os velórios naquela época eram “ponto de encontros”,onde as chaleiras enormes de café coados de hora-em-hora,juntamente com as broas de fubá minoso era deliciosamente degustados pelos companheiros e presentes do famoso” ponto de encontro” dos velórios rurais...
Sem contar a famosa “ floresta” cachaça das boas que escondida fazia companhia ao
Defunto, e assim “ “bebia o defunto”. Lá pela madrugada começa o sono brabo, devido o cansaço do árduo trabalho braçal, assim as historias iam surgindo, como casos medonhos, piadas malucas, contos de bruxarias, feitiçarias, anedotas, tudo prá espantar o sono e a fadiga... Seu Raimundo contava do rapaz pobre que queria casar com a filha do rei, este, porém ordenou ao pobre rapaz, que fosse a noite de sexta-feira da paixão, correr em volta do cruzeiro do cemitério com longas correntes prateadas, mas havia ordenado ao segundo pretendente que subisse em cima do cruzeiro, ao terceiro que depois da meia-noite surgisse com um lençol branco e gritando pelo nome de um dos pretendentes, e assim os três estão correndo até hoje do rei, da filha e das assombrações do cemitério... Conta-se também da folha da bananeira bem verde que ao reflexo dos relâmpagos na chuva em noite bem escura, que fizera o pobre Fortunato correrer léguas distantes achando ter visto “uma coisa do outro mundo”-como dizem lá, naquele tempo - são as almas penadas á vagar procurando o rumo... Esquecidos do defunto, que era um velho senhor idoso, aleijado, que pagará seus pecados, tendo nascido todo torto, e naquele tempo, não se ouvia falar em tratamento, em cadeiras - de- rodas, muito menos em fisioterapias, o pobre negro, de pernas atrofiadas, assim nasceu e assim morreu,  e nessa situação, foram chamados pelos familiares, alguns homens fortes, que depois de cuidar do corpo desfalecido, ajuntou as pernas do defunto, amarraram-nas, com grossas cordas, do pobre aleijado, num velho banco de paú apique, cobriram-no com um lençol branco, já coisa típica dos velórios, e assim com certeza até ao outro dia, no momento do enterro, as pernas do pobre já estaria bem acertadas, prá entrar no caixão de madeira bruta, revestido de tecido lilás. Estava amanhecendo, mas a cerração feita um veludo branco cobria toda a madrugada, dando um sentindo bem escuro, vozes e risos, piadas, contos, histórias medonhas, anedotas, tudo enfim continuará fazendo companhia ao defunto, e despercebido, um cão farejador, moribundo tanto quanto o defunto, veio dormir debaixo
Do banco, assim foi entre velho costume, roendo a grossa corda que prendia as pernas atrofiadas do pobre falecido, foi roendo... Roendo até que o negro de um metro e noventa veio a ficar sentado no banco, voltando seu estágio atrofiado... Todos correm,
Foi uma algazarra medonha dos companheiros descendo morro abaixo e dizendo que o defunto ressuscitara. O falecido ficou sozinho por longos minutos, até a família descobriu o acontecido. Naquele momento os homens e mulheres esqueceram que o velho era um aleijado. Bom! No outro dia, enterrou o baita negrão. É daí surge mais uma historia
A ser contado no próximo “ ponto de encontro. Muitos riem até hoje quando se lembra do galope que levou do negrão defunto atrofiado  que ressuscitou!


BÁRBARA PEREZ
nursebarbaraperez@hotmail.com



 

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