Com ele em campo, o espetáculo estava garantido. Até o sol das 15h15min brilhava com mais intensidade, e o gramado do Americano seu palco preferido, ficava mais verde, e a bola aflita sorria em todos os gomos e rolava em sua direção. Com ele, ela era muito bem tratada, por isso sempre que podia corria em busca dos seus pés como uma súdita, e quando tocada subia mansamente a procura do peito que a domava e a punha para dormir sob os olhares admirados e perplexos da torcida que enchia o Estádio Ernesto Guimarães em busca de alegria.
Zé do Óleo encarnava a natureza. Fazia chover, trovejar e os bons ventos sopravam a nosso favor. Com jogadas clássicas e mágicas fazia da bola e do jogo um brinquedo aos seus pés. Beque de estilo refinado saía jogando de cabeça erguida e com muita classe, passava com precisão cirúrgica ou lançava a bola colocando os atacantes na cara do gol.
Com clarividência antevia as jogadas, roubando a bola do adversário com uma simplicidade que fazia o jogo parecer fácil - Bola alta na área era sua, saltava e cabeceava para bem longe do perigo. Sufoco, que nada - Sozinho entre vários adversários, não se intimidava, entrava com raça rasgando e com um chutão afastava a bola que voava para bem longe da área, dando tempo para a defesa se recompor. Quanta categoria! Bola alçada sobre área novamente, uma jogada de extrema dificuldade para muitos, surgia soberano, metia a bola no peito, colocava-a no chão e saía zigue zagueando entre os atônicos e indefesos adversários, levando a torcida ao delírio, numa alegria de gol.
Líder nato, titular do Americano com pouco mais de 16 anos, conseguiu sobressair-se jogando como zagueiro, numa época em que havia uma grande safra de craques na cidade, tanto no Americano quanto no Motorista. Com voz estridente e grave comandava lá de trás a equipe, o juiz, e ao mesmo tempo inibia e inervava os adversários, com jogadas de encher os olhos.
Sem medo de cara feia e com personalidade, chamava a responsabilidade para si, dando espetáculo enquanto jogava.. Defendia, atacava, roubava bolas, dava dribles, e se preciso fosse - chutões, transformando as tardes de domingo num sonho para os amantes do futebol bem jogado.
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