Entre as várias intervenções espetaculares de Zoe, uma ficou gravada com maior nitidez na memória da torcida rubra e branca do Motorista Futebol Clube, na sua casa, Estádio Ernesto da Fonseca, década de 70, áureos tempos em que o futebol calçadense experimentou grande sucesso.
O jogo estava morno, Zoe tratava de mexer com o time, com o adversário e acordar a torcida. Quanto uma bola era chutada rasteira e com pouca força, ou atrasada pelos zagueiros, ele deixava-a propositalmente passar por entre suas longas pernas e em ato continuo mergulhava para trás, se jogando sobre a mesma, aninhando-a nos braços sorrindo, como troféu, enquanto extasiados e aliviados torcedores vibravam.
Goleiro espetacular, sem ser espetaculoso, dominava a grande área, e com naturalidade, fechava a baliza, ao mesmo tempo passava tranquilidade e segurança ao time, seguindo o ditado: Todo bom time começa com um grande goleiro. A máxima era perfeita, Zoe encarnava a aura dos grandes goleiros, e fazer um gol na meta defendida por ele, era tarefa das mais ingratas. Ele tinha nervos de aço, demonstrando frieza nas horas de maior perigo. Ele tinha asas e voava, praticando defesas improváveis.
Zoe figura sem favor algum, na galeria dos grandes craques do futebol calçadense, e vestindo a camisa um do Motorista, transformava-se num gigante, ainda maior do que a sua avantajada figura.
Num só jogo haverão opiniões tantas quantas vezes forem o numero de torcedores, não dá para imaginar futebol sem dúbias interpretações, não há futebol sem magia. As vitórias serão sempre incontestáveis para o vencedor, no entanto os perdedores lançarão com certeza dúvidas quanto à lisura do jogo. Haverá culpados pela derrota, juiz, campo, bola, etc. Haverá também, com certeza, divergências entre torcedores para entrar num consenso: Quem foi o melhor em cada posição? No gol, certamente todas as opiniões serão unânimes. No futebol calçadense de todos os tempos, Americano ou Motorista, só Zoe e mais dez..
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