MENU





Sua mensagem


Caso a página não esteja sendo exibida corretamente
instale o plugin  do  flash  no seu computador entrando
no link acima.

Melhor visualizado em resolução 800x600 ou 1024x768


RIO DE JANEIRO E O ARROZ DOCE

   Que saudade do Rio de Janeiro cantado em verso e prosa por todos os brasileiros. Sala de visitas do Brasil, recebendo o mundo de braços abertos pelo Cristo Redentor e aplaudido pelo Pão de Açúcar na sua mais doce alegria e descontração dos cariocas.

   Ser do Rio de Janeiro era motivo de orgulho, era como estar no teto do país, vivenciando a mistura da cultura brasileira e desfrutando o lazer dos dias e das noites cariocas. Era o referencial metropolitano dos quatro cantos do território nacional.

   Recordo-me que quando morava em Brasília na década de 70 costumávamos reunir grupos de amigos de várias regiões, entretanto aqueles que eram do Rio insinuavam ter mais intimidade com a sutileza da malandragem na vida boêmia. Qualquer gozação distribuída fatalmente caía sobre os outros estados, acompanhados pelo olhares altivos dos cariocas. Uma frase muito usada por eles era : " Lá no Rio as coisas são diferentes ; porque lá no Rio fazemos as coisas assim ou assado" ", e na primeira oportunidade demonstravam ser do Rio de Janeiro principalmente se tivesse uma mulher presente.

   Certa ocasião atendendo uma adolescente no auge de sua vaidade em meu consultório odontológico, perguntei :

   - "De onde você é ?".

   Ela mais que depressa respondeu :

   - " Nasci no Piauí mas fui criada no Rio de Janeiro . Eu só fiz nascer lá mas moro no Rio há muito tempo. "

   Esta notoriedade do Rio e dos cariocas me fez lembrar um episódio que aconteceu com meu irmão em uma reunião de família.
Morávamos naquela época numa vila no interior do sul do estado do Espírito Santo ( São Benedito ) o qual mantia uma relação mais estreita com o Rio de Janeiro do que com a capital .

   Havia uma família de pessoas negras que foram tentar a vida no Rio de Janeiro, levando consigo a vontade de trabalhar e de enfrentar os mistérios de uma grande cidade. Anos depois a filha mais velha voltou para amenizar a saudade contida pelo tempo.

   Harmozina era uma negra extrovertida de sorriso fácil e voz estridente.
Quando chegava enchia o ambiente exalando alegria de uma pessoa feliz e de bem com a vida.

   Seu pai era o carnavalesco do lugar cujo nome era Benedito do cavaquinho, organizador de vários carnavais que ficavam comentando por vários meses até cair em esquecimento. Infelizmente jamais pode voltar a sua terra natal pois a velhice não permitia saborear a vida como fazia naqueles tempos de folia. Acometido pelo derrame foi obrigado a permanecer na cama permanentemente. Harmozina não se continha de alegria contava casos de toda a família, enumerando as etapas e enaltecendo as alegrias da cidade maravilhosa. Devido ao seu temperamento otimista de uma alegria até irritante, tecia elogios e mais elogios ao Rio de Janeiro. Que o Rio era maravilhoso, que o Rio era gostoso, que o Rio era alegre, etc. , etc., etc...

   Meu irmão na sua pequena inocência da primeira infância saboreava um prato cheio de arroz doce pela primeira vez. A proporção que ia saboreando aquela maravilhosa iguaria seu cérebro registrava simultaneamente este novo e prazeroso alimento, pois até então não tinha comido um " trem " tão gostoso em sua vida.

   Após raspar o prato com a colher e lambê -lo, gritou para a mãe :

   - " Quero mais Rio de Janeiro, quero mais Rio de Janeiro. "

   Ela ocupada com a visita e vivendo os encantos do Rio respondeu impacientemente :

   - " Que Rio de Janeiro menino. O Rio de Janeiro está longe . "

   Ele mais que depressa pegou o prato vazio e apontou para o arroz doce :

   - " Rio de Janeiro mãe, Rio de Janeiro . "

   Aos olhares e sorrisos de todos ela encheu o seu prato de Rio de Janeiro e seu olhar brilhante de alegria demonstrava a sua satisfação de saborear mais um Rio de Janeiro.

   Hoje gostaríamos de reviver aquele Rio de outrora com segurança , liberdade, junto daquelas pessoas que são os cariocas , pois todo brasileiro tem um " pouco de carioca ".

S. Raulino Pereira



 

 


 

 

 

 

 

 

O broinha - www.broinha.com.br - todos os direitos reservados