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"Cedo demais"  


    Com o título Cedo demais, foi publicada, no jornal A Gazeta de 19/07/03, uma comovente crônica do jornalista José Carlos Corrêa. Nela podemos apreciar o talento do escritor e presumir a dor do homem que, ao prematuramente perder a sua esposa, tinha plena consciência da felicidade que viveram: "Afinal, tínhamos filhos maravilhosos, uma família companheira, uma multidão de amigos, enfim tudo o que é preciso para Construir uma vida de alegrias".

    Foi pensando nessas partidas para a outra vida - para nós, sempre cedo demais - que me lembrei de meu primo Antônio Carlos. No verdor de seus 15 anos, foi-se embora sem dizer adeus, numa mesa de cirurgia. Era para ser mais uma Corriqueira operação de garganta! Como entender a interrupção de uma vida adolescente ?E os sonhos? E os projetos para o futuro? Gostava de poema coma sua alma de menino. Talvez se tomasse um discípulo de Drummond! Quem poderia saber? Era um menino bom de sorrisocativante e personalidade amiga e fraterna. Mas...Veio-lhe o crepúsculo em pleno sol de meio-dia!

    Também lembrei-me da minha prima Auxiliadora - cujo nome tem origem nas orações que se referem ao "auxílio dos cristãos" (auxilium christianarum) - , que foi mais uma a cedo demais nos deixar. Nem a sua jovial alegria atrasou o seu rápido entardecer para a vida. Foi-se a flor vibrante de nossa família, mas ficou a sua essência nas gratas lembranças, que evocamos constantemente em reuniões familiares. Ela era uma pessoa que, a despeito de suas limitações físicas, nos dava uma verdadeira lição de vida por intermédio de sua fé cristã e de sua solidariedade. Na memória, ainda vislumbro a magia de seu sorriso serelepe, que era sua marca registrada. Dorinha foi-se de repente, quando ninguém esperava. Minutos antes de passar mal, estava rindo... Rindo muito!...

    Das lembranças, agora afloradas, lá do cantinho mais especial, onde a dor é mais intensa e contínua, apesar do tempo -este amigo cicatrizante -,vem a recordação mais sentida e lacerante: a face da jovem mãe que cedo demais partiu, desfazendo, assim, toda a alegria de sua família. Ser órfão de mãe é como uma primavera sem flores; uma noite de lua cheia sem a beleza de sua claridade; uma canção de uma só nota: triste e lamuriosa... Ficamos os três filhos sem entender por que as mães fenecem, se elas são a alma do lar. É justo quem gera uma vida, perder sua própria vida, deixando seus frutos sem rumo? Fica um consolo: tê-Ia conhecido; ter recebido seus cuidados; ter recebido seu aconchego nas noites frias; tê-Ia ouvido falar, com doce ternura, "meus filhos, minha vida". Fica também uma indagação em triste responso: Por que foi-se tão cedo, cedo demais?..

    "Cedo demais", pode até ser paradoxal, foia partida da minha avó com os seus 91 anos. Mesmo sendo idosa, penso que foi abreviado o seu tempo ao nosso lado -tempo bem vivido, de muitas. Alegrias para recordarmos juntos aos seus retratos, que nos remetem a várias ocasiões de felicidade. Agora... Meu Deus, que vazio! Entretanto, para o amor não há idade! Por conseguinte, tento encontrar acalento
nas palavras de Brian Weiss:"O amor é eterno. O amor não acaba nem mesmo com a morte física."



Edoson Lobo Teixeira
Presidente da ACL



 

 


 

 

 

 

 

 

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