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Entrevista de Admissão do Caçapa

   No início de 1981 saí da Cia Vale do Rio Doce e fui trabalhar na
Companhia Siderúrgica de Tubarão. Tínhamos (eu e Antonio Carlos Sodré)como missão admitir em torno de 40 pessoas, onde iríamos capacitá-los dentro da empresa. Tinha como premissa que deveria admitir pessoasde minha inteira confiança, para que não tivesse problemas no futuro.
   Então vieram os amigos, alguns de Calçado (Ronaldo Castro, Roberto
Esteves, Toim Pitito e o Caçapa) outros daqui de Vitória. Foram
realizados os testes pré-admissionais e a última tarefa seria a
entrevista. Eis que chega na minha sala para entrevistá-lo, o Caçapa.
Entrou todo brincalhão como que estivéssemos no bar. Então eu querendo sacaneá-lo comecei a entrevista com semblante sério , com perguntas sem nexo para que êle respondesse. Por exemplo, quantos funcionáriosa Cst tem hoje, quando ela foi criada, quais foram os primeiros diretores, quantas toneladas de aço iria produzir no inicio e daí por diante. O Caçapa ficava vermelho, esfregava as mãos, mudava de posiçãona cadeira, gaguejava e nada de responder a uma pergunta. Então eu dissea êle:

   - Sr. Carlos Lacerda, assim não é possível. Como posso admiti-lo se
o Sr. não sabe nada da emprêsa onde vai trabalhar?

   Êle congelou. Eu fiquei esperando alguma resposta e êle gaguejando.

   - Eh, eh, eh, mas não me falaram nada que precisava saber isso...
 E eu insistindo.

   - Mas, como ? O Sr. sabe que nós precisamos de pessoas que divulguema empresa com dados concretos sobre ela. Imagine se eu irei admitir pessoas que não sabem responder as informações necessárias.

   E êle desesperado. Ficou vermelho e me disse:

   - Mas Almir, você é meu amigo não dá pra quebrar o galho ? Eu
prometo que vou estudar tudo sobre a CST e responder direitinho quando precisar.

   Nessa altura do campeonato eu estava quase explodindo de rir por dentro e não aguentei. Caí na gargalhada e o Caçapa me acompanhou com um riso ainda meu nervoso.

   Então levantei e fui com êle tomar água e um cafezinho para que êle voltasse ao normal.

Almir Lobo de Aguiar



 

 


 

 

 

 

 

 

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