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FÉRIAS
EM POÇOS DE CALDAS, COM O PERIQUITO.
parte 1
Na
década de 90, precisamente em maio de 1992, resolvemos
eu e minha esposa, passar uma semana de férias em Poços
de Caldas.
Geralmente quando saio a passeio, gosto antes planejar a viagem,
marcar o roteiro, verificar a distância, ver mais ou menos
quantos quilômetros iremos andar antes e depois do almoço,
local de paradas, reservas de hotel, etc...
Bem, fiz isto tudo calculando para que nada desse errado ou se
por acaso acontecesse, não nos pegaríamos de surpresa.
Assim fizemos. Marcamos dia e hora para sairmos, ou seja, ficou
decidido que sairíamos na sexta-feira pela manhã.
Foi naquela época da grande crise do álcool e gasolina,
em que os postos de combustível fechavam depois das 20:00
hs na sexta-feira e só abria as segunda-feira as 08:00
hs.
Na quinta-feira à noite, estávamos arrumando as
malas, quando o telefone toca. Imagina quem estava ligando?
Meu amigo Periquito. Ligando de Itaboraí, onde passou a
ter residência fixa, numa ótima chácara no
centro da cidade.
Itaboraí para quem não sabe, é terra do Juca
França, aquele sanfoneiro, que tomava todas e ia pela rua
de Calçado cantando:
"Sou de Itaboraí. Terra boa, lá a laranja nasce
até no chão".
Pois bem, conversa vai, conversa vem, fofoca vai, fofoca vem,
no final, falei que iria viajar pela manhã, para Poços
de Caldas.
Ele que é pau pra toda obra, falou:
- Vem aqui para Itaboraí, que iremos juntos eu e a senhora
Fátima.
Pediu para que eu cancelasse a reserva que tinha feito no hotel
e que não era para se preocupar, pois tinha conhecimento
do turismo daquela região, principalmente neste período
do ano. Pouco movimento, diária em baixa, e que chegando
lá encontraríamos hotel à vontade e barato.
Bem, assim fiz. Liguei para o hotel para cancelar a reserva; a
recepcionista insistiu para que eu ficasse com a reserva. Expliquei
que iria com mais um casal amigo e como não tinha mais
vaga, estava desistindo da reserva.
No outro dia pela manhã, levantamos bem cedo e partimos.
Chegamos antes do meio dia em Itaboraí, fomos para a casa
do meu amigo Periquito, conversamos um pouco, saímos para
almoçar, retornamos para sua casa, descansamos um pouco
e lá pelas três horas resolvemos partir.
Neste momento, o Periquito entrou na garagem e retirou aquela
Brasinca (a álcool) com aquele cavalinho pintado na calota.
(coisa ridícula, só ele que gostava, pois tinha
a intenção de ser um dia criador de cavalo manga
larga).
Neste momento protestei:
- Periquito, deixa esta jaca aí. Vamos no meu carro, pois
isto bebe muito, esqueceu que o posto fica fechado sábado
e domingo!
Ele respondeu:
- Deixa comigo, já está tudo no esquema, pensa que
eu sou bobo, conheço Itaperuna.
Foi quando ele abriu o porta mala e dentro havia 6 galões
de 25 litros, cheios de álcool.
Eu falei.
- Periquito, isto não vai dar certo cara. Se a polícia
para a gente, pega estes galões ai dentro, além
da multa o carro vai ficar preso.
Todos nós protestamos e achávamos que seria melhor
viajar no meu carro (um Escort, a gasolina), ele bravo falou:
- Vamos aqui mesmo, aqui tem mais conforto.
Assim ficou decidido, venceu o mais teimoso.
Arrumamos tudo, e resolvemos partir, isto já era quase
4 horas da tarde, além disso, teríamos que parar
no antigo posto Tunicão que ficava na Dutra, pois queria
ver nosso amigo Paulinho Sacudo (ele tinha uma érnia nos
bagos, do tamanho de uma bola de futebol, imagine só),
filho do Jair Melo, eu não via o cara a mais de 25 anos.
Depois de ter dado um abraço no Paulinho. Seguimos viagem,
pois naquela época do ano, o dia ficava mais curto.
Andamos, andamos, e de vez em quando tínhamos que parar
e entornar um galão de álcool no tanque; pois o
"cavalinho" o que mais fazia era beber, a cada 100 km
era um galão de 25 litros de álcool.
Lá pelas 7 horas e meia da noite encontramos com a policia
federal dando blitz e por sorte parou a gente.
O Periquito tranqüilamente falou:
- Fica frio, deixa comigo.
Chegou o policial, foi logo pedindo os documentos particulares
e o documento do carro, olhou a placa, cidade de Nova Iguaçu,
fez cara feia, coçou a cabeça tirou o boné.
Neste momento veio um outro policial, que ficou rodeando o "cavalinho",
olhando para dentro, caminhou para a traseira do carro espiou
e pediu para que eu abrisse o porta mala.
Pensei, agora o bicho vai pegar.
Olhou as malas por fora, viu os galões e falou:
- Combustível, né.
E afastou, indo ao encontro do outro policial que estava verificando
os documentos do carro, com o Periquito.
Chamou o seu colega e afastou um pouco da gente.
Cutuquei o Periquito com o braço e falei:
- Ele viu os galões de álcool.
Ele falou:
- É amigo do papai, são conhecidos. Deixa comigo
que eu não sou bobo. Conheço Itaperuna.
Neste instante chegou os dois policiais e falou:
- O carro vai ficar detido. Documento do carro sem pagamento do
IPVA. Transporte ilegal de combustível, etc...
Conversamos mais ou menos umas três horas e meia, quando
finalmente conseguimos com muito custo liberar o carro, isto depois,
de deixar o almoço em churrascaria para os policiais durante
um mês, alem de dois galões de álcool. Um
deles tinha um monza a álcool.
Neste meio tempo Fátima e Regina, já estavam na
hora de dar a luz (sem lâmpada).
Bem, entramos no carro tenso, isto já era mais ou menos
umas 9:30 hs da noite.
Para não termos mais problemas, falei com o Periquito,
se não era melhor verificar o caminho, no mapa rodoviário.
Ele falou já puto da vida:
- Carlim, já te falei que não sou bobo, conheço
Itaperuna, e além do mais, moro em Niterói a mais
de 30 anos, conheço tudo isto e mais alguma coisinha.
Seguimos viagem, vi que ele tinha saído da Dutra, e pegou
a estrada com destino a Poços de Caldas
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