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FÉRIAS
EM POÇOS DE CALDAS, COM O PERIQUITO.
parte 2
Andamos,
andamos, quando de repente começamos a subir uma serra,
que nem a serra de Petrópolis.
Nossas mulheres já estavam puto da vida, cansadas, encostadas
nos travesseiros, cochilando.
Eu que tinha vindo de Vitória dirigindo, também
estava cansado e resolvi tirar um cochilo.
Lembro que andamos bastante. Lá pelas tantas o Periquito,
me cutuca e fala.
- Acorda, rapaz. Estamos chegando.
Acordei e vi um clarão de luz no céu, lá
na frente. Verifiquei as horas e vi que era 11:45 hs da noite.
Fiquei animado, olhei para traz e vi as mulheres dormindo, e brinquei
com o Periquito.
- É cara, to vendo que você vai dormir em quarto
separado da dona Fátima hoje. Ela não está
muito boa com você não, heim!
Quanto mais o clarão da cidade aumentava, mais animado
eu ficava.
Pensei comigo: uma dose dupla pra comemorar, Chuveiro quente,
um "sanduba", uma boa cama quentinha, que beleza, o
cansaço já estava até passando.
Quando chegamos mais perto da cidade, eufórico acordei
as mulheres, quando deparamos com uma placa, daquelas de chegada
em cidade, escrito:
BEM VINDO, A CAMPOS DO JORDÃO.
Falamos, eu e as mulheres quase que em coro:
- Campos do Jordão não. É para Poços
de Caldas.
Quase arrebentamos ele no cacete.
Isto já era quase meia-noite, ele contornou o trevo de
entrada de Campos de Jordão, e falou:
- Vocês pensam que eu sou bobo, conheço Itaperuna.
Menos de uma hora estaremos lá.
Ele pegou uma estradinha de asfalto, toda esburacada tipo aquela
rodovia Guaçui-Calçado, sem acostamento e "pocou"
no trecho.
Andamos, andamos, as mulheres falando, mais que um bando de maritacas
preso num viveiro. E nada da chegar Poços de Caldas, ou
outra cidade qualquer, pois só via o ponteiro do combustível
abaixar, chegando perto daquele sinal vermelho, que indica vazio.
Eu puto da vida falei com o Periquito.
- Periquito veja só, o combustível ta acabando,
não tem mais nada nos galões, não vejo nenhum
clarão de cidade por perto. Vamos parar para olharmos o
mapa, para sabermos pelo menos onde estamos.
Assim fizemos. Começamos a olhar no mapa e para nossa felicidade
e principalmente para a dele, (pois a dona Fátima tava
que tava), verificamos que a cidade mais próxima estava
a uns quinze quilômetros.
Chegando lá, procuramos o primeiro e único posto
de gasolina, pois o álcool estava no suspiro e eu também.
Chamamos o vigia do posto.
Meio sonolento, com uma foice na mão, o vigia aproximou-se
e perguntou o que queríamos.
Falamos que estávamos precisando de álcool para
o carro e gostaríamos de falar com o dono do posto.
Ele saiu para chamar o dono, que morava ao lado do posto.
Ficamos esperando. Ninguém falava nada, principalmente
as mulheres.
De repente apareceu o dono do posto, cumprimentou, olhou para
a placa do carro e perguntou o que estávamos querendo.
Falamos que estávamos indo para Poços de Caldas
e que estávamos sem combustível.
Ele foi logo falando:
- O posto esta fechado, é proibido vender combustível,
placa de Nova Iguaçu, o que quê vocês querem
mais?
O Periquito que não é bobo, e que conhece Itaperuna,
dono do Posto Chafariz, depois de um longo papo conseguiu resolver
tudo, com um detalhe:
Comparando o preço de álcool com o da época,
o preço estaria girando em torno de R$1,20, pagamos R$2,50
por litro, em "cash", só por causa da placa do
carro (é mole).
Partimos, chegamos em Poços de Caldas, às 03 horas
da matina. Detalhe, a Viagem que estava programada para fazermos
em quatro horas mais ou menos, gastamos quase onze horas.
Paramos logo no primeiro hotel, pois todo mundo tava que tava.
Novidade, não tinha vaga.
Fomos para o segundo, terceiro, quarto e somente no quinto hotel
é que conseguimos lugar.
Não devo e não falo como todo mundo estava olhando
e reclamando do nosso amigo Periquito. Todos nós só
pedíamos uma coisa.
Banho quente e uma cama.
Arrumamos dois quartos um ao lado do outro.
Acordamos quase 11 horas da manhã e saímos para
conhecer a tão esperada cidade de Poços de Caldas.
À noite fomos para um boliche. Jogamos e bebemos até
às 02:00 horas da manhã. Depois fomos para o hotel
dormir.
No outro dia as 07:00 horas da manhã acordo com a porta
do quarto sendo socada, parecendo corpo de bombeiro, resgatando
vitimas de um incêndio.
Abro a porta, e o meu amigo Periquito, entra chorando, mostrando
a boca com uma falha no canino, aparecendo apenas um pino metal
dourado.
- Carlinhos engoli o meu dente. O canino!
E desata a chorar, falando que queria ir embora, pois não
queria passar a semana sem o seu amistoso canino.
Então como bom amigo tento acalma-lo procurando uma solução,
quando viro para ele e falo:
- Periquito, não se desespera. Vai para o seu quarto tampa
a pia com uma bucha de papel higiênico, taca o dedo na goela,
faz força para vomitar, que o dente vai sair.
- Boa idéia, isto mesmo.
Assim ele fez. Foi para o quarto todo contente fazer a operação
de vomito e extração do canino de dentro do bucho.
Só lembro que ninguém mais naquele andar conseguiu
dormir, de tanto que o homem fazia força, berrava e vomitava.
Minha esposa ouvindo aquele desespero, não agüentou,
saiu correndo para o banheiro e acabou vomitando também.
Depois de mais ou menos uma hora o desgraçado aparece de
novo no meu quarto, branco que nem vela de sete dias e sete noites,
com a mão esquerda segurando a barriga e com a outra mão,
entre o mata piolho e o fura-bolo, o bendito canino e fala:
- Consegui, sua idéia foi fantástica, agora podemos
ir embora.
Eu já preparado, pensando que ele queria ir embora, falei:
- Calma, calma, não precisamos ir embora, já tenho
uma solução. Fica sentado aqui na cadeira, recuperando
que eu já volto.
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