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O PIPOQUEIRO  


Ladeira acima, ladeira abaixo, lá vai e vem
rangendo nos roucos e fracos eixos,
por mãos a tremer, a carrocinha de pipoca,
buscar a praça às tardes, bem ali...
e postar-se junto ao canteiro do jardim.

A pipoca pula, pula, ligeira no vidro,
aguçando a cobiça dos meninos,
a correrem afoitos ao encontro de
Seu Sinhozinho, sorridente e bondoso
testemunha muda das procelas da vida.

Banhada de luz bem amarela, a praça
tem perfume a se espalhar docemente,
casais de namorados, passeando livres
de mãos dadas, sorriem alegremente,
colorindo o seu viver de encantamento.

Olha o pipoqueiro! Olha o pipoqueiro!
Com voz rouquenha, dizia o pobre velho
Como bom lazer e recreio.
Escolheu as tardes domingueiras,
em meio a crianças, flores e pardais.

Flores e mais flores em simetria...
O jardim é como águas tranqüilas.
O pipoqueiro, curvado, mas sereno,
faz lembrar os velhos mandarins
a ensinar a arte de bem viver.

Agora nas tardes frescas de outono,
só vejo a carrocinha de pipoca...
Os domingos são ocos, muito ocos, e,
as crianças não vêem mais Seu Sinhozinho,
porque já Deus o levou a seu regaço.


Nádia Teixeira de Rezende


 

 


 

 

 

 

 

 

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