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Aconteceu
no final dos anos 40.
Li
o segundo editorial do jornalista Pedro Teixeira, publicado em
20 de junho, em cuja edição, ele e o cronista Edson
Lobo tecem vários comentários sobre o apelido "Broinha",
dos que nascem em nossa cidade. Descobri então com alegria
que o assunto de minha crônica de hoje. E para desfazer
curiosidades, vou revelar a história verídica sobre
um episódio ocorrido nos idos de 1948, quando eu era professor
do Colégio de Calçado.
Naquela
época o colégio implantou o curso de contador e
o número de alunos da cidade não era suficiente
para tender às exigências do MEC Ministério
da Educação e Cultura, o que levou sua diretoria
a buscar alunos em Bom Jesus do Itabapoana. E o transporte deles
era feito em um ônibus alugado, especialmente para transportar
alunos, funcionando diariamente com 20 rapazes daquela cidade,
até às 11 horas da noite, quando retomava.
Havia
entre os calçadenses e bonjesuenses (e acredito que haja
até os dias atuais) uma rivalidade nos relacionamentos
sem razões definidas, coisas da juventude. E essa rixa
era mais acentuada entre os estudantes, visto que os visitantes
dependiam do Colégio de Calçado para a realização
de seus estudos, porque em Bom Jesus ainda não havia curso
de contabilidade.
Diariamente,
com o término das aulas às 23 horas, descíamos
juntos fazendo uma parada no bar da dona Jacira, para o lanche
da noite, onde o ônibus já estava à espera
dos estudantes. Dentre eles havia um "turquinho" chamado
Zilton Citelli Assad, rapaz alegre, inteligente e que exercia
uma certa posição de líder do grupo. Ele
também era meu interlocutor entre eles, por ser muito bom
aluno do curso de contador, onde eu era professor de Contabilidade
Pública e Mercantil.
De
noite, na hora do lanche, o garçom serviu broa de fubá,
cuidadosamente confeitada pelo padeiro do José Ceríaco,
que tinha padaria na cidade. Ao ver a broinha, Zilton iniciou
uma pequena baderna, alegando que ninguém iria comer broa
de fubá, no que foi seguido por todos os seus colegas que
já se preparavam para voltar às suas casas. O assunto
rendeu alguns minutos mais de discussão e os calçadenses
presentes partiram para o deixa-disso. E esfriada a briga, com
os visitantes vencendo no grito, ao tomarem o ônibus o fizeram
gritando "Broinha" por todos os lados, até o
veículo desaparecer na curva da ladeira.
E
o apelido pegou de tal forma que um dia depois, numa prova mensal
no curso, Zilton colocou no cabeçalho, ao invés
de São José do Calçado, "São
José das Broinhas". Isto lhe valeu um zero do professor
Lourismário. Agora popularizado, mas como apelido "do
bem", tantas foram as vantagens descritas por Pedro Teixeira
e Edson Lobo, ele está, finalmente, registrado na internet
por intermédio do site www.broinha.com. sepultando definitivamente
essa velha rixa boba entre bonjesuenses e calçadenses.
Saudosos tempos dos anos 40! ...
Geraldo
Barelli
Extraído
do Jornal A ORDEM

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