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Calçado: Progredir ou ficar
com está? Qual a melhor opção?
Lembranças
vêm e vão de nossa memória e se não
as registramos acabamos por perdê-las, assim como as idéias.
Num desses momentos de saudades, acabo de me lembrar de uma época
em que íamos, eu e minha irmã para Calçado
passar as férias escolares e levávamos uma caixinha
que ganhamos de nossos pais, tipo uma maleta, cujo conteúdo
era um toca-discos portátil: a famosa vitrolinha algumas
vezes já citada aqui pelo Piriquito.
Ela
funcionava tanto ligada à tomada, quanto com pilhas. Naquele
tempo tudo que funcionava com pilhas, era com aquelas pilhas enormes
e sempre em quantidade não inferior a quatro unidades,
sendo que não existiam as alcalinas, ou seja, acabavam
logo. Hoje já existem as pilhas palitos e até baterias
com formato de moedas. Mas a tecnologia é assim mesmo,
primeiro as coisas são criadas grandes e vão diminuindo
com o tempo, num confronto direto com a natureza, onde nascemos
pequenos e vamos crescendo com o tempo.
Pois
bem, íamos para Calçado e a vitrolinha nos acompanhando,
juntamente com uma sacolinha onde guardávamos os compactos
simples e os compactos duplos. Os LPs vieram depois. Quando entardecia
juntávamos uma turminha e ficávamos ouvindo música
na pracinha do Grupo Escolar, na direção da casa
da Vânia. Ali batíamos papo, conhecíamos gente
nova, alguns dançavam, brincavam, etc. Era época
de Jonny Rivers com a até hoje atualíssima "DO
YOU WANT A DANCE?", Cat Stevens com "WILD WORLD",
Bread com "EVERYTHING I OWN", "REFLECTIONS OF MY
LIFE" e "SUMMER BREEZE" que eu não lembro
quem cantava, entre tantas outras músicas que marcaram
aquela época. Posso fechar os olhos e me transportar no
tempo, como se lá estivesse. Mais ou menos como o Carlos
FEFEU se sente quando adentra em Além Calçado. É
forte a sensação. Será que mais alguém
se lembra disso?
Foi
meio que um passaporte para freqüentar o Montanha Clube naqueles
bailes. Ali aprendi a dançar, pisando nos pés de
muitas garotas. Mas depois aprendi e hoje não piso mais
nos pés de ninguém. Foi nesses bailes onde aprendi
a dançar e onde saboreei pela primeira vez um Cuba Libre,
uma cerveja... ah!.. Tenho certeza, muitas conquistas de muitos
de nós aconteceram primeiro em Calçado. Dali fomos
pro mundo aperfeiçoando os aprendizados.
Quantos
segredos Calçado guarda em seus domínios...
Depois
de crescido, já com carro para viajar, visitava Calçado
com menos freqüência, pois lá não mais
encontrava os amigos, pois iam para fora em busca de estudos e
oportunidades. Aliás, como sempre acontece em cidades pequenas
em que não se criam oportunidades de trabalho educação
e lazer. Hoje, vou muito pouco à minha querida cidade.
E
foi pensando nisso tudo que me ocorreu a idéia que transfiro
aqui para quem quiser aproveitar, Sr. Prefeito, Srs. Integrantes
da ONG:
Tenho
lido e acompanhado com interesse algumas revistas cujo tema é
o mundo OFF ROAD, formado por pessoas que adoram carros com tração
nas quatro rodas (4X4) e que gostam mesmo é de andar em
estradas de chão, de preferência com muito buraco
e com muita lama. Essa idéia já tinha me passado
pela cabeça e eu a estava amadurecendo, mas quando li a
crônica do Jeep e o João, do Oscar Rezende, a quem
agradeço o empurrão sem nem mesmo saber que o estava
fazendo, resolvi escrever esta idéia em formato de crônica
para que não só alguma autoridade ou organização
se utilizasse dela, mas qualquer pessoa interessada.
A
idéia se resume em fazer um circuito de trilha, ou Rally
ou Raid pelas estradas de chão que passam pelas fazendas
da região de Calçado, criar um Polo de Aventuras,
com Rapel, saltos de Bungee Jump, Escaladas, passeio de botes
em rios com corredeiras (se tiver algum por aí), o que
movimentaria um comércio e um turismo que está crescendo
muito, de acordo com as revistas especializadas, e que pode contar
com patrocínio das montadoras, dos fabricantes de pneus,
combustíveis, lubrificantes, enfim, uma infinidade de dinheiro
que poderia entrar no município para empurrar Calçado
pra frente e fazer com que passasse a fazer parte de circuitos
nacionais e, quem sabe, internacionais. Quem sabe fazer parte
do circuito do Ralli dos Sertões, né mesmo?
A
quem interessar, sugiro dar uma olhada nas revistas 4X4 &
cia, Pickup & 4X4, Fora de Estrada, além de sites especializados
como:
http://web.cidadeinternet.com.br/braziladventure/offroad/
http://www.foradeestrada.com.br/
http://www.jeepclube.com.br/
http://www.mercado4x4.com.br/
http://www.planetaoffroad.com/
http://www.trilhabrasil.com.br/portifolio.asp
http://www.4x4ecia.com.br/ entre outros...
Penso
que Calçado tem tudo pra se dar bem em empreendimentos
dessa natureza. Casarões de fazendas como a Memória
que podem ser abertos para visitação, podem virar
restaurantes, museus, locais de passeios ecológicos, cavalgadas,
pousadas, hotéis-fazendas. Enfim, um nicho a ser descoberto,
em contato direto com a natureza, com a conservação
ecológica da região e instrumento de riqueza para
a cidade e seus habitantes.
Pra
finalizar, gostaria de dizer, que embora as tecnologias avancem,
elas também estão voltadas para o retrocesso, mas
nesse caso o retrocesso é o lazer. Fábricas de automóveis
se voltam para veículos que andam melhor em estradas esburacadas
que em asfalto. E já que a tecnologia ajuda, porque não
ajudar Calçado a ficar exatamente como está, lindíssima
como sempre foi, e com circulação de capital em
comércio e serviços.
Sr.
Prefeito, Srs. Integrantes da ONG, amigos, povo de Calçado.
Esta a minha sugestão para ajudar no desenvolvimento dessa
terra tão querida. Saibam, que se eu vivesse mais perto
daí, certamente ousaria tentar fazer algo pra realizar
esta idéia.
Acho
que me animei demais...
Antonio
Claudio Medina de Almeida
Niteroi, 28/10/2003
amedina@nitnet.com.br

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