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Coisas
Estranhas Acontecem
Entre o Ceu e a Terra existem mais mistérios do que se
possa imaginar,
acontecem fatos inexplicáveis na vida das pessoas, que
contando ninguém agredita.
Recentemente em minha propriedade conversando com um ex-morador
da Fazenda do Areal, contou-me que uma pessoa de sua convivência
foi agredida em uma noite escura, por um ser desconhecido ou melhor
invisível, pois ele apanhava sem saber quem batia, tomando
uma tremenda surra, deixando as pessoas pasmas ao tomar conhecimento
do fato, por ele relatado.
Fato semelhante aconteceu neste mesmo lugar quando lá moravámos
por volta do ano de 1950. Nesta época meu pai arrendou
a Fazenda do Areal para dedicar-se a cafeicultura, trabalho ardou
devido as dificuldades técnicas no dominio e preparo da
terra, assim como as adversidades comuns da agricultura.
Certa noite em uma de suas ausências em virtude da necessidade
de negócios mais prolongados da vila, deixou minha mãe
em companhia dos dois filhos menores, juntamente com uma velha
senhora e um adolecente de sua responsabilidade familiar.
. Coincidemtemente a noite também estava muito fria e escura
como breu, salvo as crianças que já estavam dormindo,
os três permaneciam perto do fogão à lenha,
desfrutando do calor prazeiroso que ele proporciona nas noites
frias das montanhas.
O silêncio foi quebrado pelo latido alto do cachorro, cujo
o nome era Tigre, por ser forte como tigre e de cor semelhante.
Sua fama de bravo era comentado por todos, entretanto nesta noite
ele parou de latir e começou a gritar de dor ao som de
chicotada, lambada, chibatada ou coisa parecida, como se um gigante
estivesse aplicando um corretivo. Ele corria em volta do terreiro,
enfiava vez por outra debaixo da casa, arranhava a porta da cozinha
e o chicote batendo, seja lá onde estivesse.
Minha mãe apavorada abriu a janela da frente, a qual tinha
uma visão
panorâmica e mais profunda do terreiro, que através
do lampião poderia identificar o agressor. O cachorro na
esperança de socorro buscava a claridade do lampeão
sob o som ardente do chicote invisível, e os três
espremidos na soleira da janela tentavam mais uma vez enxergar
o agressor, mas infelizmente ou felizmente não viam ninguém,
a não ser a expressão de dor radiada pelos olhos
brilhantes de pavor
do cachorro.
Minha mãe foi correndo para o quarto e ajoelhou-se sob
a imagem de São Sebastião e começou a rezar
o terço acompanhado pelos dois, que ficaram em silêncio
mas ajoelhados também. A proporção que foi
avançando pelas Ave-Marias e Pai-Nossos, o cachorro foi
silenciando, silenciando, até o silêncio total.
Neste momento ouviu-se um ruido na porta da cozinha, e com o coração
saltitante e olhos arregalados foram passo a passo satisfazer
a curiosidade do barulho. Felizmente era meu pai chegando de São
Benedito carregando as compras de suas necessidades. Neste mesmo
momento o cachorro entrou como uma bala e foi se esconder debaixo
do fogão. Estava todo machucado e tremia o corpo todo.
Nesta noite ali ficou, pois não saia de jeito nenhum, tamanha
era o medo do desconhecido.
Isto nos faz refletir o quanto temos medo do desconhecido, seja
ele um sonho, um projeto de vida, um compromisso futuro, um negócio
novo, entretanto devemos exorcizar o medo do desconhecido e deixar
penetrar a coragem e a esperança para fecundar as realizações
da nossa vida. Quem sabe que entre o Ceu e aTerra é possivel
que seja a casa da eternidade.
Raulino Pereira

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