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TRAGÉDIA NA FESTA DE PALMITAL

  

    Infelizmente esta e' uma estória que talvez não agrade a alguns leitores do broinha no entanto como o caso e' verídico e tem sobreviventes que a maioria das pessoas conhece, estou reportando o acontecido no site.
    Como mostram as campanhas contra os acidentes automobilísticos, álcool e volante nunca se deram bem.

   Este episódio aconteceu há mais ou menos uns 38 anos atrás, quando as estradas vicinais ainda estavam num estado de precariedade e má conservação, principalmente na região de Calçado, onde existem estradas sinuosas o que possibilitava acidentes fatais , aliados a irresponsabilidade de motoristas.

   Chegava o momento de acontecer a festa de Palmital. Algumas pessoas de Calçado e cidades vizinhas preparavam as suas barraquinhas com vários produtos para venda na festa. Lembro-me que nesta festa foi o Vantim, que mora na descida da ladeira da Rua Quinze a esquerda . A data podem confirmar com ele, quando forem a Calçado. No último dia da festa, alugaram um caminhão para retornar. . Várias pessoas subiram no caminhão e também o Vantim com as suas coisas. Era fogão, barraquinha, botija de gás, comida, garrafas de várias bebidas, etc, tudo entulhado em cima do caminhão junto com as pessoas. A segurança não existia nenhuma.

   As pessoas seguravam-se umas as outras ou nos objetos em cima da carroceria do caminhão. Ninguém havia percebido que o motorista também estava embriagado e entrou na buléia, assumindo a direção. Subiram todos na carroceria e então começou a fatídica viagem. Daí' alguns minutos na descida da Serra do Alípio, o motorista perdeu o controle do caminhão e desceu a pirambeira . Foram vários tombos e as pessoas que estavam em cima foram rolando junto com os objetos e o caminhão rolando em cima das pessoas. Vantim escapou com vida mas os seus pertences (fogão, barraquinha, bebidas) foram destruídos. Pela manhã o comentário era geral em Calçado. Quantos morreram ? Quem foi? É parente de quem ? Daí a pouco ficamos sabendo que os corpos tinham sido levados para o necrotério do Hospital São José. Muitas pessoas estavam indo lá . Minha mãe proibiu que eu fosse. Então eu fui escondido dela.Eu e alguns colegas fomos em direção ao hospital, levados pela curiosidade, pois um episódio desses era o comentário geral na região. . No meio da ladeira dos eucaliptos encontramos o Tunico retornando. Estava com o semblante sério e assustado. Parou e disse que não deveríamos continuar, pois era um quadro dantesco. Mas como menino e'curioso, seguimos adiante. Quando chegamos, vimos uns 8 corpos esparramados pelo chão com várias escoriações, inertes ... .

   Nunca tinha visto uma cena daquelas. Percebi o quanto devem ter sofrido. Mais tarde chegaram os carpinteiros e começaram a medir os corpos para confecção dos caixões. Não lembro se havia alguma pessoa de Calçado que havia falecido no acidente. Certamente algum parente poderá ler esta estória e lembrar do seu ente querido.

Vitória, setembro de 2003.

ALMIR LOBO DE AGUIAR.


 

 


 

 

 

 

 

 

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