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Vamos escrever?


  Vamos sim. Vamos escrever e muito. Escrever,coisa que nunca passava pela minha cabeça, veio com o Broinha.com.
   Que coisa, fazemos coisas que imaginávamos serem impossiveis.
Uma das quais, para mim, escrever.Parecia coisa do outro mundo.E olhem que tive, graças a Deus, um bom inicio.
   Tia Lidia ,dona Merinha, dona Nazira, dona Edith e uns cascudinhos do padre Amando, apesar de não ter sido aluno dele.
   Se bem que o bom mesmo é escrever "perdoando" meu amigo Caçapinha, e como me alivia esse peso...eu tenho que perdoá-lo...
Já repararam que quando a gente gosta muito de uma pessoa, ou uma coisa,ou um presente,ao invés de colocarmos como uma coisa grande,colocamos como uma pequenininha? Sempre no diminutivo?
Comecei a aprender isso com o Carlinhos.
   Quando ele está de bom humor, me chama de Piriquitinho.Quando está mais ou menos é Piriquito. E quando está terrivelmente enfurecido comigo ele parte logo para a ignorância: Periquito.
Periquito,passarinho de madame, passarinho de gente fina, coisa que consegue arrebentar comigo....
   Uma só letrinha que consegue transfigurar todo um ego.
Mas ele sabe que eu o conheço.
   Querem me ver deliberadamente irritado? É fácil, o dia que me virem falar assim, reparem!
   "Carlos Lacerda, a partir de hoje não vou mais te perdoar."
   Ia pegar até mal para minha imagem se eu falasse desse jeito, ainda mais com o Caçapinha.
   Primeiro que ninguém iria saber quem é Carlos Lacerda, principalmente os mais jovens. Os mais velhos, que ainda tem juizo, iriam me esconjurar por citar esse nome aqui no Broinha; a não ser ,é claro, o Sr. Leonel de Moura Brizola e afins....
   E o próprio "pai" Crissaff, que já deve estar me xingando de tudo quanto é nome. Sem ser de Periquito, isso eu garanto.
   Por falar no "pai"Crissaff , escutem essa!
   Na hora dos esculachos, que eu conheçia bem, falava:
   -Djalminha, pelo amor que você tem a sua mãe....e outros impropérios que não posso citar ao vivo.
   Tudo no diminutivo, menos a mãe..., que ele respeitava muito chamando-a de Toiota.
   Toiota??? De onde o "pai"Crissaff tirou isso?
   Certo dia perguntei pra ele:
   -Ô Crissaff, que negócio é esse de chamar a mãe de Toiota,heim?
   -Você é uma peste tão grande que só uma Toiota, coisa de japonês, podia fazer melhor!!!
   Não vou negar não. Me senti orgulhoso. Ser comparado aos japoneses? Sinal de inteligência.
   Humm!!! Cheguei em Niterói a primeira coisa que fiz foi chamar a mãe de Toiota, só pra agradar. Tô com a bunda ardendo até hoje.
No aumentativo superlativo e outros tivos mais....
   Mas vamos voltar aos diminutivos, coisa que interessa....
   Principalmente ao Caçapinha, ainda mais depois que meu Tolete( o sapo) comeu o anú dele e a Buchinga( a perereca) da Laudicéia.
   -Piriquitinho....ele no telefone, muito embriagado, no outro dia que saiu a crônica
   -Você está judiando muito desse seu amiguinho aqui....
   - Dá um tempinho pro seu camaradinha....
   - Por que senão não vou por a músiquinha do Bebeto Carlos pra você ouvir....
   Quando ele falou isso, " eu não vou negar " ( e não é música do Zé di Camargo ), fiquei geladinho. Ouvir a desgraceira do Você é meu Rei,toda vez, é dose pra leão....
   Não que a música seja ruim, ele é que é muito chatinho. O Bebeto Carlos, não é o Caçapinha não, entenderam?
   Reparem que tudo é no diminutivo.
   A dona Eni, por exemplo, nunca foi muito de me dar esculachos.    Nunca, isso eu tenho a favor dela.
   Ela me expulsava mesmo, com um porrete na mão, um porretinho.    Quando a coisa era mais séria, com uma lasquinha de lenha, de mais ou menos um metro.
   Que coisa. Tudo no diminutivo.
  -Vai atentar sua vovózinha...
   A dona Enedina, minha avózinha, coitadinha, sempre me perguntava:
  - O que que meu netinho aprontou de errado?
  Eu já conhecendo o que significava"meu netinho", já saia de fininho...
  Afinal de contas, já não era mais criancinha. Eu heim?? Acho melhor ir jogar bola lá na casa do Moreira Neto, lá no campinho....
   Subia a ladeira de novo, fazendo lingua e outros sinais obscenos pro Crissaff, do outro lado da rua, é óbvio, só pra ouvir ele falar:
   - Olha lá o Piriquitinho, que gracinha!
   Tudo no diminutivo....
   Mas aquele sinalzinho que a gente faz com o dedo, aqui procê ó!!!,realmente era grande, para a minha idade. E saia correndo. Por incrivel que pareça, ladeira acima. Ainda bem que era o "pai" Crissaff. Se fosse boi bravo, só uma alma penada para escrever essa cronicazinha hoje.
   Pois é gente, isso é um pouquinho da grandiosa oportunidade , do monumental prazer ,do sem limites amor que tive, tenho e vou continuar tendo pelo "pai"Crissaff", pela dona Eni, pelo Besouro, pela Sandra, pela Ester, pela Estelinha e pelo meu amigão, meu irmão, tudo que significa grandiosidade, sem diminutivos.... tá aqui, ó, no meu coração, obrigado Carlinhos.

Djalma Junger Lahud ( podem até me chamar de Piriquitinho, Periquito não!!! )
DjalmaUSA@aol.com


 

 

 


 

 

 

 

 

 

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