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Dia Internacional da Mulher 

No princípio Tudo era breu. Uma escuridão fria e solitária envolvia Tudo. A mãe de todos os buracos negros reinava absoluta. De repente, o criador de Tudo resolve acabar com aquela monotonia monocromática. Criou-se, então, O Universo.

Num piscar de olhos, precedendo a um grande barulho provocado pelo deslocamento violento do ar, Tudo se transforma num "imenso infinito", com bolinhas de vários formatos e tamanhos brilhando onde, antes, só existia breu.

O Universo crescia e expandia muito rapidamente. Muitas daquelas bolinhas iluminadas já estavam sem brilho e, é bem verdade, algumas poucas continuavam a brilhar. O Universo cresceu tanto que ficou infinito. As distâncias são medidas em anos-luz. Mas, ainda asssim, o problema da solidão persistia. Não havia vida.

Todavia, uma bolinha que havia diminuido o brilho de uma forma toda especial, começou a ganhar coloração. Foi se destacando da turma de outras bolinhas já apagadas, algumas bem maiores e geladas, outras ainda bem quentes e menores. Surgia a Terra.

A Terra se mostrou, desde cedo, muito linda. Sua atmosfera azul, seus oceanos verdes, tudo nela era muito colorido. Mas o mais importante é que ela tinha vida. Vaidosa, não seria difícil supor que cada dia vivido por ela seria diferente do outro. Tinha organização, a passagem do tempo não era somente contada dia por dia. Cada ano tinha suas estações, uma mais quente, outra mais fria, uma com clima mais ameno e outra, bem a seu gosto, muito florida.

A Terra veio para iluminar e colorir o Universo, para quebrar a lógica das coisas, para embelezar e humanizar, contrapondo sua intuição à razão reinante. O Universo em seu trabalho estafante de crescer, não percebia os detalhes, não dava valor as pequenas coisas que tanto harmonizavam o conjunto. O Universo era muito racional, muito lógico e pouco sensível.

Mas o criador ainda não estava de todo satisfeito. Faltava alguma coisa para completar a Terra. As noites eram longas, muito escuras e solitárias. Das entranhas da própria Terra saiu sua companhia. Uma filha para lhe compartilhar os segredos e as angústias, uma vez que o Universo só pensava na expansão dos seus domínios. Nasceu, assim, A Lua.

Agora a Terra irradiava alegria. Suas noites não mais eram solitárias e silenciosas. A Lua como filha lhe fazia companhia, compartilhava seus segredos e, ainda, a inspirava em seus sonhos. O Universo, enfim, passou a perceber a existência da Terra. Percebeu, também, que não adiantaria nada expandir seus domínios infinitamente, se não houvesse alguém para enaltecer suas conquistas, apaziguar seu ânimo e lhe mostrar o sentido e a beleza da vida.

Neste Dia Internacional da Mulher, nós Homens/Universo, parabenizamos vocês Mulheres/Terra, por esse dia. Por nos ter gerado, gestado e nos colocado no mundo. Pelo carinho, pelo amor e pela dedicação que nos tem prestado. Por sua beleza, por sua bondade e por sua graça e intuição, que tanto nos intriga e nos encanta. A todas vocês, Mulheres/Terra, nós Homens/Universo lhes oferecemos o infinito, mas sabemos, diante mão, que a vida que nos deram é, infinitamente, o presente mais bonito.



GILBERTO VIEIRA DE REZENDE
calcadense@bol.com.br

 

 


 

 

 

 

 

 

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