ERA UMA VEZ...


Uma cidade encantada, localizada entre montanhas e flores. Tinha uma praça enorme, proporcionalmente ao tamanho da cidade, mas muito bonita, bem planejada em seu paisagismo colorido e em seus desenhos geométricos com que eram feitos seus canteiros. Era uma praça com o formato de um vale, pois em se olhando do alto de uma das margens do vale se via a parte da praça que estava do outro lado, como visão aérea. Alto-falantes espalhados pela praça funcionavam como emissora de rádio, dando as notícias da cidade.

No alto de um dos lados estava a igreja matriz, onde se rezaram muitas missas, celebraram-se muitos casamentos, encomendaram-se muitas almas, muitos batismos, crismas, promessas, ladainhas, confissões, comunhões, etc.

Do outro lado, no alto ficava o grupo escolar, onde começaram seus aprendizados, desde pessoas ilustres a ilustres desconhecidos.

A arquitetura no entorno daquela praça era formada por casarões, sobrados e casas simples, com estilo colonial e estilos próprios que caracterizavam-na, em sua maioria sem afastamento frontal ou lateral, com algumas exceções.

Ostentava um cinema num tempo em que raras cidades poderiam oferecer uma atração que envolvesse grande parte da população.

Os bares daquela cidade eram, em sua maioria, grandes espaços, com mesas dispostas como restaurantes. Não existiam botequins. Eram freqüentados por todos os moradores da cidade, pois ali, além de cervejas e cachaças, eram vendidos também os picolés, as balas, os biscoitos.

Era uma cidade próspera, levando-se em conta que já havia um colégio, havia um banco da cidade cujo banqueiro era um cidadão nascido ali mesmo, havia uma usina de açúcar, havia uma usina hidrelétrica, a pecuária leiteira era bem desenvolvida, cultivava-se muito café, haviam rios com águas límpidas, com peixes saudáveis.

Crianças brincavam sem causar preocupação aos pais. Visitantes chegavam de todos os lugares, era tudo uma maravilha. Até que chegou a estagnação. Parou de crescer. O banco fechou, a praça se modificou, o cinema encerrou suas atividades, a usina nem chegou a funcionar, a agricultura se desfez. Casas foram derrubadas para dar lugar a construções que maculavam a visão acolhedora da cidade. Não havia estudos além do colegial e a idéia que se tinha era que a cidade iria se esvaziar, pois naturalmente os velhos morreriam e os jovens sairiam da cidade para dar seqüência aos estudos ou buscar trabalho. Muitos não voltariam, pois não haveria mercado de trabalho para eles.

Milagrosamente, apesar de os velhos morrerem, os jovens saírem para os estudos, aquela cidade teimosamente ia crescendo em sua população mas o progresso que pudesse trazer qualidade de vida para aquela população se afastava cada vez mais. Pessoas se candidatavam cada vez mais à prefeitura e à câmara de vereadores e o tempo ia mostrando que havia uma cabeça de burro enterrada ali que não deixava nada acontecer.

A cabeça de burro começou a ser desenterrada quando uma idéia luminosa, daquelas que se a gente piscar o olho mais de uma vez se perde, acometeu um dos filhos daquela cidade. Mostrar aquela cidade para o mundo, de uma forma nunca imaginada por ninguém em nenhum lugar do planeta. E então surgiu como um cometa uma página na internet, juntando pessoas conhecidas ou não, amigas ou não, inimigos até. É gente se comunicando de toda parte do mundo. Uma coisa linda! Aquela cidade fica dividida em dois tempos: antes e depois da página.

Uma página usada politicamente, para fins religiosos, para recados, homenagens, anúncios, comunicados, procuras, encontros, brincadeiras, criatividade. Enfim, uma página democrática, uma verdadeira escola. Pode servir para qualquer coisa, inclusive para alavancar novamente o progresso e trazer de volta o esplendor de outrora. Uma página para fazer com que aqueles que não têm como estar com freqüência em sua terra natal ou mesmo os que nunca mais ali voltaram, tenham a oportunidade de visitá-la virtualmente e ali encontrar amigos, parentes, fazer novas amizades e até inimizades porque a página é dinâmica. Ela traz espaços para fotos e as pessoas podem desde fazer passeios por tempos longínquos até os dias de hoje. Mostra as pessoas como eram em tempos de infância até como são nos dias de hoje. É um desfile histórico, riquíssimo, como não se encontrará em nenhuma outra página sobre cidades em lugar algum do mundo. É dinâmica porque se atualiza..

Há de chegar o dia em que, quando quisermos contar histórias sobre aquela cidade, começaremos assim:

Será sempre...

Uma cidade encantada, localizada entre montanhas e flores...

Antonio Claudio Medina de Almeida - Niteroi-RJ
amedina@nitnet.com.br


OBS.: Esta crônica é dedicada a Oscar Rezende.

 

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