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Já
disse um poeta inglês, do Século 19, que quando um
sino dobra por algum morto, ele também está dobrando
por todos nós que, juntos, morremos um pouco. Ernest Hemingway,
romancista americano e Prêmio Nobel em 1951, pegou esse
gancho e deu título ao seu belo livro "Por quem os
sinos dobram?". E esse é o grande mistério
que aflige a todos os homens: a morte.
Os entendidos esotéricos de plantão
afirmam saber o dia de sua chegada e, até, lhe sabem a
data. Só a pressentem, dizem eles, aqueles que estão
atentos ao dia-a-dia da vida, nas encruzilhadas que ela arma e
nas coincidências que ela nos apresenta. Não são
nos relógios de ponto nem nas tarefas monótonas
e contínuas que ela se revela. Mas nas entrelinhas dos
atalhos e nos desvios de quem se atreve.
Como saber? ... Ouça o vento que sopra,
já cantava Bob Dylan nos distantes anos 60. Quantos de
nós ouviu a canção de Dylan, quantos de nós
já ouviu o vento soprar? E quantos de nós já
se preocuparam em saber quem parou a chuva depois que o dia se
abre num sol de primavera? Só os atentos, os escolhidos,
escutam a canção do vento e se preocupam em saber
quem parou a chuva.
Saber o dia da morte está na conscientização
primeira do porquê da vida. Por que nascemos e qual o seu
objetivo. Feita esta conscientização, estamos aptos
a saber também o dia dela: é quando findamos nossa
missão. Uma simples equação matemática
de solução fácil e previsível, como
as notas musicais, que nos soam tão sonoras, desvendadas
pelo matemático Pitágoras, ou a decodificação
da cadeia do DNA. Como 2 mais 2 são 4. Bem ... este cálculo
não serve para aqueles que já morreram e não
sabem. Aí são outros 500.
Quem não tem uma missão na vida,
ou, principalmente, não a procura, é massa cósmica
no universo, pura figuração sem maiores objetivos.
Como o recheio do bolo. E aí está uma boa idéia
para saudarmos o Terceiro Milênio que adentramos, para deixarmos
de ser simples figurantes na festa da vida. Como??? Muito simples:
há quanto tempo você não ajuda a um semelhante
em dificuldades? Há quanto tempo você não
faz nada por sua comunidade a não ser visando os lucros
do dia-a-dia? ... Tanto tempo assim? ...
Uma das máximas do pensamento cristão
é a que quando alguém salva um semelhante, seja
da morte, da fome ou do desespero, ele também está
salvando toda a humanidade. Tal qual falei no início da
crônica, com relação ao sino que dobra por
quem morreu e por todos que morrem um pouco. E aí cabe
outra explicação matemática para a máxima
cristão. Se cada um se incumbisse de salvar apenas um semelhante,
metade da humanidade estaria salvando a outra metade. Simples,
não? ...
E por quanto tempo você ainda pretende
ser massa cósmica nessa fantástica festa da vida?
Ser apenas recheio de seu bolo sagrado? Por quanto tempo você
ainda pretende ficar gravitando em torno do próprio umbigo,
ao invés de ao redor do sol e por toda a eternidade do
Universo? Observe os arredores e veja a miséria que gravita
em seu pequeno mundo particular. De alguma forma você pode
melhorá-lo. Faça uma reflexão.
Pedro Teixeira
pedroteixeira.online@bol.com.br

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