A GREVE DE GAROTINHO


*Juliano Ribeiro Almeida
julianorial@gmail.com


Anthony Garotinho anunciou que entrou em greve de fome para denunciar que está sendo vítima de um grande complô por parte de gente que teme a vitória de sua candidatura à presidência da República. Ele reconhece o esquema de doações ilícitas para campanhas políticas, mas achava que o fato de bater no peito e dizer “fiz mesmo, e daí?” iria resolver todos os problemas. Assim, deixou bem claro que, em sua opinião, o problema do presidente Lula com o caixa 2 do PT não é se houve ou não houve, mas na cara-de-pau de reconhecer ou não.

Foi-se a época das greves de fome... Quando Ghandi parava de comer no movimento da não-violência contra o imperialismo britânico na Índia, os noticiários internacionais falavam em revolução silenciosa e admiravam a força de um carisma legitimamente engajado num ideal. Recentemente, no Brasil, o bispo dom Luiz Cappio também fez greve de fome contra o projeto do governo de fazer a transposição do rio São Francisco; a Santa Sé, através da nunciatura apostólica, e a CNBB acusaram-no de suicídio, ele recuou dizendo que se tratava, na verdade, de um jejum, mas, em todo caso, havia ali uma coerência, uma causa, um projeto. Vá lá.

Mas – vamos combinar – Anthony Garotinho dizer que está em greve de fome contra a “perseguição” que está sofrendo por parte da mídia, do governo Lula, dos anti-evangélicos e não se sabe mais de quem, aí já é apelar para o ridículo, pra não dizer trágico. Primeiramente, que importância no cenário político nacional Garotinho tem para pensar que organizações internacionais moverão mundos e fundos pelo fim de sua dieta (ainda mais precisando mesmo de uma)? E depois: que autoridade moral ele tem para adotar a mesma tática de protesto dos grandes personagens que citamos acima?

Sua assessoria de imprensa diz que está sendo acompanhado de um médico e permanecerá na sede do PMDB. Lamentável. Pra começar a comover, ele deveria enviar esse médico para atender nos precários hospitais cariocas e, se possível, filiar-se a um partido que desse menos na cara. Quem acredita ainda na identidade política do PMDB, meu Deus?! E quem ainda acredita no projeto que Garotinho tem para o Brasil?! Quércia, seu comparsa?

O argumento de Garotinho é tão convincente quanto a teoria da conspiração dos mensalistas capixabas, que insistem em dizer que todas as denúncias, todas as provas cabais, tudo se trata apenas de perseguição política. Parece que, desta vez, nem gritando aleluias nem invocando a liberdade religiosa se conseguirá livrar Garotinho da forca... e ele nem cresceu ainda...

* Juliano Ribeiro Almeida, 25,é membro da Academia Calçadense de Letras e padre da paróquia Nossa Senhora do Amparo, Itapemirim-ES. E-mail: julianorial@gmail.com

 



 

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