Gilberto
Vieira de Rezende
calcadense@bol.com.br
A
política, tal como é praticada no Brasil, nos
leva a acreditar que quase não há quem a leve
a sério, ou seja, quem a pratique visando o bem público.
Na realidade, o que se percebe são os políticos,
na sua maioria, preocupados em tirar proveito pessoal das situações
que são criadas pelos próprios. Veja o caso do
governo Lula. Antes de ganhar as eleições, os
petistas caiam de pau na política econômica do
governo FHC, principalmente na linha adotada pelo Banco Central
de manter o superávit primário em 3,75% do PIB.
Pois
bem, os petistas diziam que manter o superávit primário
nos níveis mantidos no governo FHC, era fazer o jogo
do FMI e dar alegria aos banqueiros nacionais e internacionais,
que auferiam lucros estratosféricos, impedindo o governo
de investir nas áreas de saúde, educação
e infra-estrutura. Outras críticas que faziam eram quanto
ao baixo índice de crescimento da economia e a pouca
quantidade de vagas de emprego com carteira assinada abertas
no mercado. Essas duas críticas são, basicamente,
derivadas da primeira, pois, manter o superávit primário
alto implica em reduzir a quantidade de dinheiro circulando
na economia e, como conseqüência, o encurtamento
do crédito, que leva ao aumento dos juros, que reduz
os investimentos, que inibe a contratação de mão
de obra e que, finalmente, não deixa que a economia cresça.
É
claro que o povão não precisa de entender de economia
na hora de escolher em quem votar, mas para o candidato que
promete fazer crescer a economia, criar 10 milhões de
empregos e acabar com as velhas práticas políticas,
o assunto economia não lhe deve ser totalmente desconhecido.
No mínimo, deve o candidato se assessorar de pessoas
que lhe darão suporte para concretizar suas promessas.
Quando, em campanha, o senhor Lula prometeu criar 10 milhões
de emprego, deveria saber o que estava prometendo e suas implicações.
Hoje, passado quase três anos e meio da posse, quantos
empregos foram criados? Segundo a própria propaganda
do governo, em torno de 3,5 milhões de empregos com carteira
assinada foram criados. Para quem votou no senhor Lula, acreditando
nessa promessa, o que houve foi um estelionato eleitoral, e
isso é motivo mais que suficiente para não reelegê-lo.
Se
formos levar em consideração, entre tantos outros
desatinos, o que foi dito somente nos discursos de improviso
que proferiu, o senhor Lula já deveria ter tido seu impedimento
analisado no congresso há muito tempo. Os escândalos
do mensalão, a farra do dinheiro público bancando
shows do partido político do governo, o projeto de assalto
aos cofres públicos para arrancar R$1,0 bilhão
de reais e, culminando, agora, com a total subserviência
da política externa do governo à tríade
formada pelos incipientes populistas Hugo Chaves, da Venezuela,
e Evo Morales, da Bolívia, além do perpétuo
Fidel Castro, de Cuba, deixaram o governo brasileiro com as
calças nas mãos.
E
o povo brasileiro, vai ser penalizado por esses desatinos? Bem,
o povo, segundo palavras do próprio presidente, principalmente
naquilo que diz respeito ao aumento do custo do gás que
vem da Bolívia, não sofrerá nenhuma conseqüência,
pois a Petrobrás arcará com este custo adicional.
Será que o senhor Lula sabe o que é uma empresa
de economia mista? E os direitos dos acionistas minoritários?
Alguém tem que falar com o senhor Lula para, antes de
fazer discurso de improviso, fazer um rascunho e apresentar
a alguém da equipe que tenha um pouquinho mais de bom
senso. Ou seria lucidez?
Mas,
apesar de tudo isso que está acontecendo, vale a pergunta:
A quem interessa a permanência do Lula no Governo? Por
mais incrível que possa parecer, a resposta é:
– a própria oposição! Para alguns,
ou para muitos ou para todos, pode parecer que esta afirmação
é uma brincadeira de mau gosto, mas não é
não, infelizmente!. É só darmos uma olhada
no panorama político brasileiro para entender. Os partidos
ditos de oposição ao atual governo, principalmente
os mais vistosos, PSDB e PFL, percebendo a fragilidade e a inabilidade
dos petistas em comandar o país, trataram de mostrar,
às vezes até com certa arrogância, que o
governo petista não tinha programa de governo e que as
promessas econômicas foram, já no início
do governo, esquecidas. As políticas públicas
referente ao social, quando explicitadas e colocadas em prática,
nada mais são que o velho e ultrapassado assistencialismo.
O
primeiro baque nos partidos de oposição e nos
radicais do PT veio com o anúncio do aumento do superávit
primário, ainda no início do governo do senhor
Lula, passando de 3,75% para 4,25% do PIB ( Produto Interno
Bruto ). Ali estava dado o recado aos banqueiros e ao tão
criticado FMI: a política econômica iniciado no
governo de FHC seria mantida. Os partidos de oposição
ficaram sem munição para criticar o governo do
senhor Lula no campo econômico, mas os “companheiros
petistas”, aqueles mais radicais, estavam a ponto de voltar
à Cuba para tentar entender o que estava acontecendo.
Veio, então, o mensalão, valerioduto, GDK, duda
mendonça, banco rural e etc. Os radicais e utópicos
do partido não tiveram outra medida a tomar: caíram
fora e criaram o nanico PSOL.
Ai
a coisa saiu do controle do governo – se é que,
em alguém dia, o governo controlou alguma coisa -, e
a oposição se viu dona da situação
e com todas as condições para pedir o impedimento
do presidente. Desmoralizado e sitiado por inúmeras CPI’s
e, pelo que parece, enganado por todos seus “companheiros”,
pois o presidente Lula Não-Sabia-de-Nada da Silva era
o único membro da cúpula do PT que não
sabia de nada, recebeu, então o apoio de quem? Vou só
citar dois nomes: José Sarney e Renan Calheiros, duas
raposas políticas vestidas com casacos de lãs
de ovelha. A oposição, percebendo a jogada das
astutas raposas, resolveu entrar no jogo e tirar algum proveito
da situação. Apesar de todas as evidências
de que o presidente sabia das falcatruas que seus “companheiros”
faziam, os partidos de oposição resolveram que
estava na hora de “aproveitar”. Agora, nessa altura
do campeonato, a saída do senhor Lula do governo não
seria boa para ninguém, o negócio era tirar proveito
da situação. Em troca do afastamento do Zé
Dirceu e de mais dois ou três politiqueiros, além
dos afastamentos “voluntários” de alguns
outros politicozinhos, os últimos meses do atual governo
seriam para satisfazer as vontades dos políticos de oposição,
no velho estilo toma-lá-da-cá. E a oposição
para provar que iria fazer o jogo do faz de conta, lançou
o Geraldo “Xuxu” Alckmin para presidente, mesmo
sabendo “dos problemas” dele com o banco paulista
Nossa Caixa e com o guarda-roupa da primeira dama paulista.
Qual discurso sobrou para oposição? Infelizmente,
nenhum....
Com
a crise do mensalão, muitos dos próceres do governo
do senhor Lula tiveram que pular fora do barco. Uns de maneira
brusca, sendo demitidos dos cargos, mesmo que muito a contra
gosto do chefe, como foi o caso do vistoso Zé Dirceu.
Outros pularam fora para não complicar mais a situação
do governo, um caso típico de “é melhor
perder os dedos e salvar as mãos”. Os últimos
que caíram fora só assim o fizeram para salvar
a própria cabeça, contando com a desinformação
do povo para voltar à cena política na próxima
eleição, certamente com o discurso de ter sido
perseguido e, por isso, estava voltando a pedir votos a seus
eleitores, para provar que eram “inocentes”. Para
completar a encenação, os que foram arrolados
pelas CPI’s, ao serem julgados na Câmara, foram
absolvidos pelo voto da maioria dos deputados.
Estamos,
agora, a mercê dos escândalos. Cada escândalo
que aparece é para encobrir o anterior e nada se conclui,
no sentido de punir os atos e as práticas dos políticos
corruptos. O dinheiro desviado, esse parece ser um tabu, nunca
é encontrado e, por conseguinte, falar em devolvê-lo
aos cofres públicos soa como uma piada se, antes, não
fosse uma obrigação. Cobrar a devolução
do dinheiro surrupiado é o mínimo que se pode
esperar das autoridades, visando mostrar aos corruptos que,
se não ligam à mínima pela reputação
de homens públicos, com o dinheiro público eles
também não ficarão. O pior é o exemplo
que deixam, ou seja, roubar e praticar crime do colarinho branco
pode, desde que sejam executados por políticos com mandato
em vigência. São esses maus políticos que
temos de alijar do cenário político brasileiro,
e para isso temos uma arma poderosíssima, que é
nosso voto. Os jornais estão a nos mostrar quem são
esses maus políticos, então, no dia 03 de outubro
é só comparecer às urnas e CREU neles.
