AOS ADOLESCENTES: QUAL É MESMO O SENTIDO DA VIDA?

Juliano Ribeiro Almeida
juliano.ribeiro@broinha.com.br


O ser humano sempre se perguntou sobre o sentido da vida. Desta pergunta nasceram as religiões, as artes, as ciências e as culturas. Os animais não se perguntam qual o sentido da vida; apenas a pessoa humana faz isso, e esta é a questão fundamental da nossa existência.

Por que nasci, de onde vim, para onde irei, por que faço as coisas que faço, que caminho seguir, por que morrerei?: essas e muitas outras perguntas fazem parte do meu desenvolvimento pessoal. A pessoa que eu serei pela vida depende das respostas que vou encontrando, ou pelo menos da forma como busco encontrá-las.

Antigamente, as pessoas vinham ao mundo com boa parte destas perguntas respondidas. O povo a que pertenciam, a família que as gerava, a sociedade que as educava, o Estado que as amparava, tudo cooperava mais ou menos em harmonia para que a vida seguisse o seu curso natural. Pode-se dizer que era segura e tranqüila a forma como se formava a identidade pessoal. Se nada desse errado, já se sabia o que ser quando crescer, com quem se casar, que religião seguir, que “sentido” dar à vida.

É claro que sempre houve quem discordasse destas respostas meio prontas, e quisesse romper com a ordem pré-estabelecida para viver de uma forma diferente da que disseram. De forma geral, essas pessoas são as que marcaram a história e fizeram com que a humanidade desse passos importantes. Algumas pagaram um preço alto por isso, perdendo inclusive a vida pela qual tanto lutaram.

No século XX, muita coisa mudou. O mundo atravessou uma série de revoluções que o vêm transformando de uma forma nunca antes vista, com intensidade e velocidade jamais imaginadas. Estudiosos afirmam que nos últimos cem anos a humanidade passou por mais inovações do que em todo o período desde a pré-história! Em um século as coisas mudaram mais do que em milhares e milhares de anos!

Muitas foram as mudanças na ciência, na arquitetura, na indústria e no comércio, nos meios de comunicação e transporte etc. Em todo o planeta, a população deixou de estar predominantemente no meio rural para ocupar o espaço urbano, aumentando-o de forma desordenada. Os avanços tecnológicos levaram o ser humano a conhecer com detalhes desde galáxias distantes até às mínimas partes que compõem a matéria. E toda essa reviravolta influencia diretamente na forma como o homem vê o mundo, como ele se relaciona com os semelhantes e com os demais seres. Talvez o que tenha mudado mais radicalmente neste processo todo foi o comportamento humano.

Hoje em dia, a própria noção de tempo está alterada; quanto mais o tempo passa, mais veloz ele parece ficar. Os valores morais também estão em profunda transformação; o que era terminantemente proibido no tempo de nossos pais passa a ser comum para nós. A vida deixa de ser previsível, organizada; as pessoas têm agora tantas opções diante de si que se sentem perdidas. Lutou-se tanto pela liberdade de escolha, para derrubar os determinismos, tabus e preconceitos dos antigos... e agora sente-se um grande vazio existencial, uma profunda insatisfação, uma angústia diante da imensa quantidade de informação a se processar. Diante disso tudo, surgem as doenças desta nova geração: estresse, depressão, síndrome do pânico etc.

Pior do que isso, há também pessoas que nem chegam a perceber o vazio que carregam em si, porque simplesmente nunca se perguntam pelo sentido da vida, mas vão vivendo sem perspectiva, ou seja, não entram em contato com sua história e seus sonhos. Vivem apáticas e indiferentes a tudo o que acontece fora de si e dentro de si, alheias às grandes questões do momento, sem esperança e, por isso, sem ideais.

A religião cada vez mais deixa de ser considerada importante para a educação do indivíduo. E os que praticam uma religião deixam cada vez mais de ser influenciados por ela na formação da opinião pessoal e dos valores morais. Para preencher as lacunas da alma e satisfazer o impulso natural por experiências espirituais, o estilo de vida vigente apresenta algumas propostas perigosas:

As drogas (entorpecentes, tóxicos) expandem a consciência e alienam a pessoa de seus problemas, levando-a à ilusão de felicidade e, facilmente, à dependência química e a problemas crônicos de saúde, inclusive à morte. Vários ídolos da juventude das últimas décadas foram vítimas das drogas; perderam a vida em overdoses e ataques cardíacos, ou perderam a dignidade ao se enveredarem pelo mundo do crime. As drogas são gravemente prejudiciais ao ser humano, porque, ao invés de ajudarem na busca das respostas fundamentais pelo sentido da vida, enganam ao oferecer uma proposta fácil e rápida de experimentar uma falsa diversão. Elas conduzem a um vazio sempre maior, à queda da auto-estima e à perda do controle da própria vida.

A vivência desordenada da sexualidade é a grande tentação apresentada ao jovem de hoje para suprir as suas carências de afeto. A proposta é uma prática sexual cada vez mais precoce, sem qualquer maturidade para uma relação responsável com o outro; a busca desenfreada pelo próprio prazer leva a um individualismo que torna as pessoas incapazes de um verdadeiro e profundo relacionamento afetivo. Isso tudo gera problemas gravíssimos como a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis (principalmente a AIDS), gravidez na adolescência, traumas seríssimos na linha da afetividade, promiscuidade, prostituição e, no geral, uma grande banalização do sexo e a falta de consciência de sua importância para a realização das pessoas.

Outra válvula de escape é a cultura da intolerância e da violência. Vai-se perdendo cada vez mais a noção do valor que a pessoa humana tem. A destruição do outro é considerada a solução mais fácil e rápida para a solução dos conflitos. A morte do outro passa a ser banal, sem importância. Quando faltam o diálogo e o respeito para com o diferente, todos passam a ser vítimas: os violentos e os violentados. A sociedade vai se expandindo sob a lei do medo e da insegurança.

Todas estas, apesar de falsas, são tentativas de responder à pergunta fundamental pelo sentido da vida. Elas não apenas deixam de responder, mas criam outros problemas bem maiores, pelos quais ninguém precisaria passar para ser feliz.

Se há um sentido maior para estarmos aqui neste mundo, ele só é encontrado quando rompemos com tudo o que desintegra a dignidade humana, quando nos decidimos a cultivar o amor e a paz. Aqui, conta muito a presença de pessoas amigas, aquelas que nos amam de verdade, gratuitamente. Pessoas que nos ajudem a fazer escolhas saudáveis e respeitosas a nós mesmos, aos outros e ao universo.

A família é o primeiro lugar onde devemos buscar apoio. Nela nascemos, demos os primeiros passos, conhecemos a vida com suas belezas e dificuldades, aprendemos o que significa amar e ser amado. A instituição familiar está passando por uma crise profunda: às vezes se confundem os papéis e já não se respeitam os limites que devem existir entre pais e filhos, as pessoas acabam construindo pequenos mundos isolados em seus quartos ao invés de cultivarem a comunhão na sala da casa. Porém, por mais problemas que apresente, a família será sempre o lugar fundamental da descoberta da identidade, da construção do caráter e da maturidade que prepara para o mundo.

No processo de crescimento, é muito importante também a prática da religião. Ela conduz a pessoa ao cultivo da fé de forma partilhada e comunitária. Quando o espírito humano clama por um sentido que o justifique e encante a existência, no fundo, ele está desejando a comunhão com Deus, seu Criador. Só em Deus nossos anseios mais profundos obtêm resposta. Só nele conseguimos a força para enfrentar dignamente o sofrimento, a injustiça e o desamor.

Trilhando o caminho da nossa vida, encontramos, como vimos, muitos obstáculos que tentam impedir o encontro com nossa verdade e com o sentido mais profundo da nossa vida. Encontramos, também, elementos bem próximos a nós que podem e certamente vão nos ajudar bastante, principalmente porque nos mostram que não estamos sozinhos nesta luta. Enfim, não precisamos inventar artifícios e buscar fora de nós o que nos possa fazer feliz. Dentro de nós mesmos está tudo o que é necessário para isso. Depende de nós.



 

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