COISAS QUE A GENTE NÃO ENTENDE

*Marcio José Furtado
marciofurt@yahoo.com.br



Às vezes, fico pensando como as pessoas gostam de complicar as coisas simples! Na realidade, uma grande parte dessas pessoas não sabe fazer as coisas e, por exercerem algum cargo (notadamente em instituições públicas), precisam fazer qualquer coisa (quando fazem!) para justificarem o tempo que passam no emprego. É a massa falida dos recursos humanos de órgãos que continuam gastando dinheiro do povo e não resolvem coisa alguma.

Um exemplo claro e que pouca gente percebe é o que o Ministério da Educação (MEC) anda fazendo com o ensino superior. Existe tanta sigla que dá para imaginar a quantidade de funcionários públicos lotados nos órgãos espalhados neste gigante adormecido (MEC), como: CNE (Conselho Nacional de Educação), PNE (Plano Nacional de Educação), SESU (Secretaria de Educação Superior), DEDES (Departamento de Desenvolvimento da Educação Superior), DEPEM (Departamento de Modernização e Programas da Educação Superior), DEPES (Departamento de Política da Educação Superior), DESUP (Departamento de Supervisão da Educação Superior), além de outros tantos que não vamos enumerar por questões de espaço e tempo. Pode ser até que se faça alguma coisa boa, mas o que há de besteira é para nos deixar tristes e revoltados.

Quantas Universidades, Faculdades e Cursos existem hoje no Brasil? Quantas pessoas estão sendo beneficiadas pelos programas que o governo diz ter criado? Quantas pessoas gostariam de estudar e não podem porque as Universidades Públicas foram feitas para os que têm recursos para freqüentar os cursinhos (concorrência acirrada) e que, depois do ingresso, o que se vê são salas de aula vazias e professores procurando alunos para ensinar. Quanto dinheiro jogado fora nas Universidades Públicas (algumas têm mais funcionários que alunos, prédios sem utilização, materiais sendo perdidos por falta de uso, apesar de terem os melhores professores do Brasil)!

Você sabe o que acontece quando um aluno, na maioria dos cursos existentes hoje, tenta transferir de uma IES para outra? No mínimo ele vai perder um semestre, porque as grades curriculares são muito diferentes. O MEC, por incrível que pareça, consegue aprovar cursos sem levar em conta que os projetos pedagógicos deveriam ter um padrão. Só como exemplo, um aluno que se transferir do terceiro período do Curso de Enfermagem da UNIG (Itaperuna/RJ), para o mesmo curso da FAFIA (Alegre/ES), terá que fazer o primeiro e segundo períodos quase todos. Enquanto Bioestatística, na UNIG é dada no quarto período, na FAFIA, é no primeiro, sem contar que outras disciplinas os conteúdos são totalmente diferentes entre as IES. Uma aluna que saiu da Faculdade de Guaçuí/ES, no quarto período do Curso de Administração e foi para a UNIVILA (Vila Velha/ES) e voltou um ano depois, acabou concluindo o curso em cinco anos, sem interromper um semestre, enquanto, nas duas IES, o curso é de quatro anos. Isto, sem contar que existem casos em que alunos, reprovados no terceiro período de determinada IES, são transferidos para outra e aceitos no quarto período. Dá para entender?

Por que o MEC não tem um padrão de curso? Por que aprovar cursos por aí afora, sem a mínima condição de funcionamento? Depois, são criadas dificuldades para o reconhecimento desses cursos, processo este que penaliza o aluno que nada tem a ver com as burrices de tanta gente incompetente.

Será que é por isso que, cada vez mais, os exames da OAB estão reprovando mais que transformando bacharéis em Direito em advogados? Será por que a grande maioria dos recém formados de hoje tem dificuldades de ingressar no mercado? Por que muitos partem logo para a pós-graduação? Falta emprego? Ou nossa mão-de-obra está sem qualificação?

Há algum tempo atrás, quando se protocolava um projeto no MEC, para um novo curso, eram necessários, mais ou menos, doze meses para a aprovação. Hoje, se ouve falar que dois ou três meses são suficientes para se conseguir essa autorização. Por que as pessoas que têm o poder de decidir, nos órgãos de governo, têm tão pouca seriedade e quase nenhuma responsabilidade com coisas tão sérias como a Educação? E nas outras áreas também.


*Membro da Academia Calçadense de Letras, Professor de Estatística da Faculdade de Guaçuí e sócio da INCONTEST.

 

 



 

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