*Pedro Martins
pedro_educa@yahoo.com.br
Com a instituição das políticas de ensino
público gratuito no Brasil, aconteceu uma reestruturação
degenerativa no currículo escolar, que sofreu um decréscimo
de quase 50% nas disciplinas até então ensinadas.
Tudo, segundo seus responsáveis, para atender mais rapidamente
a uma necessidade iminente da sociedade pós-colonial,
majoritariamente analfabeta. Esta ruptura curricular deu-se,
principalmente, na formação humanística,
responsável pela discussão dos valores e da ética.
Tal medida tornou inábil a educação para
as vitais exigências dos dias atuais, do novo milênio,
que reconhece o indivíduo pensante como melhor preparado
para atuar nas múltiplas dimensões das relações
humanas, vividas hoje na aldeia global. Como se pode perceber
no cenário brasileiro, esta realidade educativa é
responsável pelo levante de alguns fatores sociais negativos,
tais como: baixo IDH nacional e um nível inferior de
escolaridade, quando comparado a países da América
Latina em situação econômica igual ou menos
favorecida que o Brasil, como, por exemplo, a Argentina.
O menu de Filosofias Pedagógicas e teorias “perfeitas”
de educação do homem, capaz de suprir estas necessidades
educacionais, é bastante extenso, mas o que se precisa,
prioritariamente, não é de uma teoria perfeita
para educar, mas um comprometimento neste ato, um fazer pedagógico
carregado do desejo de mudanças na má estrutura
social a que estamos subordinados, tão necessário
a ponto de o filósofo e educador Anísio Teixeira
afirmar que: “a grande sociedade está a se construir
e o homem deve ser preparado para ser um membro responsável
e inteligente desse novo organismo”. Ser membro responsável
e inteligente na sociedade iminente é ser capaz de desejar
o melhor para si e para os outros, efetivando estas aspirações
com respostas imediatas ao automatismo ambicioso e dirigente.
Portanto, é justamente desta infecundidade de conhecimento,
da ausência de ação/educação
libertadora que se objetiva reclamar, pois o que se tem hoje,
após várias reformulações e luta
pela redemocratização do ensino, é um processo
educacional preocupado em dar formação teórica,
quando muito profissional, ao indivíduo sem que o prepare
para uma vida de cidadão, conhecedor de seus direitos
e deveres. Formar homens inteligentes e responsáveis,
preparados para uma vida social em comum e equiparada, é
exatamente no que a escola, e não só ela mas também
todo corpo social, precisa apoiar-se para ser capaz de corroborar
as conjecturas de que o homem, através de aduções
concretas de seu caráter, torna-se respeitado por sua
moral e virtude, conhecedor das verdades existentes e auto-precursor
de suas ações e do direcionamento de sua vida.
*Graduando
em História (FAFIC/RJ);
*Graduado no Normal Superior (ISEBJI/RJ).
*Pós-graduando em Gestão Escolar (UCB/RJ);
*Pós-graduando em Educação Ambiental (UCB/RJ);
