LULA SE COMPARA A VARGAS

Gilberto Vieira de Rezende
calcadense@bol.com.br

 

- O Governo de Getúlio Dornelles Vargas

Getúlio Vargas nos seus dois períodos de governo ( 1930 – 1945 e 1951 – 1954 ) foi um político nacionalista e populista, mas não tinha nada ou quase nada de ideológico, a não ser já no final do segundo governo, quando condenou a remessa de lucros das empresas estrangeiras. Mesmo em plena campanha do “Petróleo é Nosso”, Getúlio Vargas fazia consultas às empresas petrolíferas estrangeiras sobre o interesse em explorar petróleo no Brasil.

Muitos economistas e historiadores concordam que “Getúlio Vargas foi um produto de seu tempo”, muito mais hábil e pragmático que ideológico. Quando Getúlio assumiu o poder em 1930, o mundo inteiro ensaiava as primeiras reações contra a grande crise econômica iniciada em 1929, que deixou a economia privada quebrada. A tendência no mundo era na direção de um Estado forte, de economia estatal ou que, através das intervenções do Estado, reerguesse a economia privada. Nesse sentido, o programa econômico de Getúlio Vargas era a vanguarda, repetindo o que outros países progressistas faziam.

No primeiro período de governo, Getúlio criou a Justiça do Trabalho, instituiu o Salário Mínimo e os direitos trabalhista, entre os quais a carteira profissional, semana de trabalho de 48 horas e as férias remuneradas. Instituiu, também, a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Investiu muito na área de infra-estrutura, criando a Companhia Siderúrgica Nacional (1940), a Companhia Vale do Rio Doce (1942) e a Companhia Hidrelétrica do Vale do São Francisco )1945). Em 1938 criou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.

No segundo período, Vargas criou a campanha do “Petróleo é Nosso”, que resultaria na criação da Petrobrás. Em agosto de 1954, Vargas suicidou-se na Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, com um tiro no peito. Seus últimos dias de governo foram marcados por forte pressão política por parte da imprensa e dos militares, causada pela situação econômica e política do país, gerando muito descontentamento na população.

Embora tenha sido um ditador e governado com medidas autoritárias e populista, o governo getulista foi marcado pelo investimento no Brasil. Além de criar obras de infra-estrutura e desenvolver o parque industrial brasileiro, a política econômica getulista gerou empregos que favoreceram os trabalhadores brasileiros.

- O Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Lula foi eleito com as promessas de criação de 10 milhões de emprego, melhoria do Salário Mínimo, combate à miséria e a fome, fazer a reforma agrária e mudar as práticas políticas e econômicas até então vigentes.

Nos primeiros meses de governo, o que se viu na área econômica foi uma maior vinculação da economia do país com as orientações do Fundo Monetário Internacional; os integrantes do Movimento dos sem Terras praticando invasões no campo e uma inédita corrida aos cargos públicos por partidários do Partido dos Trabalhadores.

Passados alguns meses, foi ficando patente que o Partido dos Trabalhadores, na figura do presidente Lula, não tinha projeto de governo. Seu quadro de dirigentes não era suficiente e nem estava preparado para governar um país. O Programa Fome Zero não saiu do papel, os Programas assistencialistas, do tipo bolsa-escola, vale-gás e outros do gênero, estão sendo auditados por problemas de má gestão. A prometida reforma agrária continua na promessa, bem como a implantação das farmácias e restaurantes populares.

Passados 3 anos de governo Lula, o que se vê é a desmoralização ética e moral de um partido político que se dizia detentor dessas virtudes. Um ataque aos cofres públicos jamais visto na República, uma corrente de corrupção sem igual na história do Brasil, foi implementada pelo Partido dos Trabalhadores. Abertas várias Comissões Parlamentares de Inquéritos – CPI, todas levam ao entendimento de que foi montado o maior aparato de assalto ao Estado brasileiro, mostrando que o Partido dos Trabalhadores tinha, ao invés de Programa de Governo, Projeto de Poder, a custa do dinheiro do povo.

Talvez haja semelhança do Governo do presidente Lula com o fim do Governo do presidente Getúlio Vargas. Pode parecer irônico, se antes não fosse uma tragédia moral e política, fazer essa comparação. Getúlio Vargas tinha uma sombra chamada Gregório Fortunato. Lula, a semelhança de Getúlio, tem a sua, conhecida pelo nome de José Dirceu. Por desavenças políticas, Gregório Fortunato tentou assassinar Carlos Lacerda, crítico ferrenho de Getúlio Vargas, acarretando na morte do major-aviador Rubens Florentino Vaz, que acompanhava Carlos Lacerda. Este crime culminou em uma investigação criminal, na qual o presidente passou a ser acusado do crime. Surpreso com os acontecimentos e coberto de denúncias, Getúlio Vargas dizia ter a impressão de se encontrar ”sobre um mar de lamas”.

José Dirceu, apontado pelo Deputado Roberto Jéferson como o idealizador de um projeto de poder, à custa do dinheiro do povo, acabou com as pretensões do presidente Lula e o seu “ético” Partido dos Trabalhadores. Surpreso com os acontecimentos e coberto de denúncias, Lula alega que desconhecia a compra de votos, desconhecia a origem do dinheiro que financiou sua campanha política, inclusive do exterior, desconhecia os empréstimos feitos pelo PT e, finalmente, desconhecia que bancos e outros órgãos governamentais financiavam as campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores.

Concluindo, se o presidente Lula é facilmente ludibriado, mostra ser um mau presidente. Se demonstra indiferença com questões éticas e morais, não agindo de maneira rápida e eficiente para esclarecer os fatos, também não é um bom presidente. Portanto, a comparação do Governo Lula com o Governo de Getúlio Vargas não procede, a não ser com suas sombras, que abreviaram o fim de seus governos.



 



 

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