Gilberto
Vieira de Rezende
calcadense@bol.com.br

Não
sou filiado a nenhum partido político e, talvez por isso,
não me sinto nem mais nem menos abalado para falar sobre
a crise política porque passam nossas instituições
políticas. Sinto, isso sim, decepcionado com a forma
pela qual os partidos políticos, de modo geral, e os
políticos, no particular, fazem política e tratam
a coisa pública.
Não
é possível acreditar que, ainda hoje, existam
políticos e partidos que se achem o repositório
das virtudes da moralidade, da justiça social, da ética
e dos bons costumes, e fazem dessas bandeiras trampolins para
alçar vôos mais altos, à custa da boa fé
do povo. Será que ainda não atentaram pelo fato
de que as virtudes, quando verdadeiramente as possuímos
e praticamos, nos enche de orgulho quando reconhecidas pelos
outros e não quando ditas por nós mesmo, numa
tentativa ridícula de autopromoção?
Como
aceitar que partidos políticos, que até ontem
combatiam o empreguismo público dos filhos da “elite”,
hoje vilipendiam seus discursos e a todos que acreditavam neles,
praticando o maior assalto a cargos comissionados jamais visto
no país, a custa do dinheiro do próprio povo?
Como
aceitar que partidos políticos, que se auto-intitulam
éticos e contra a corrupção, se utilizem
de caixa dois nas campanhas políticas e de compra de
votos de deputados, numa clara demonstração e
aceitação de que os fins justificam os meios pelos
quais esses partidos pretendem se manter eternamente no poder?
Como
aceitar que partidos políticos, que nas campanhas são
tão vigorosos na defesa de seu modo de pensar e fazer
política e, quando no poder, não aceitam que os
mesmos argumentos lhes sejam cobrados, incorrendo num perigoso
e inaceitável erro de conduta - faça o que eu
falo, não faça o que eu faço?
Como
aceitar que partidos políticos, que ao longo dos anos
demonstraram “ousadia” para mudar a sociedade, venham,
agora, querer calar esta mesma sociedade, tachando de oportunistas
as condenações pelos “erros imperdoáveis”
cometidos pelos seus principais dirigentes, atrapalhando o trabalho
de “construção” de seus projetos de
poder?
Como
aceitar que partidos políticos e seus dirigentes, que
sempre combateram as “elites” incrustadas no poder,
não permitindo a ascensão das classes mais populares
aos poderes executivo e legislativo, hoje se vêm donos
do poder, seus dirigentes recebem mimos valiosos, suas contas
particulares são pagas por terceiros, seus salários
são complementados com recursos de origem desconhecida
e até mesmo de fontes do exterior, seus bens patrimoniais
são incompatíveis com as rendas declaradas, suas
carteiras, antes quase sempre com parcos recursos, hoje foram
substituídas por malas abarrotadas com o vil metal, suas
cuecas, que antes compunham sua vestimenta, hoje viraram cestos
de guardar dólares?
Como
esperar que a crise política que assola o país
não seja analisada e julgada agora, se o que está
acontecendo pode comprometer o futuro de gerações?
Se nenhuma providência for tomada agora, talvez nem história
tenhamos. Só sobrarão estórias
Não.
Definitivamente não temos mais que aceitar as práticas
desses partidos.
Não. Definitivamente não temos que nos calar diante
de tamanha corrupção perpetrada por esses partidos.
Não. Definitivamente não devemos acreditar que
as CPI’s sejam uma vingança contra quem, um dia,
foi “ousado” nas promessas, e hoje é abusado
e dissimulado nas explicações, inconseqüente
nos discursos e ingrato com quem acreditou em tão vãs
promessas.
Não. Não vou sair gritando, em êxtase, para
que joguem pedra nesses partidos políticos, só
porque suas idéias não encaixam com as minhas.
Mesmo porque, em respeito ao Chico e a toda sua obra, de quem
sou fã, lhe sou solidário na dor e na tristeza
porque deve estar sentindo com tudo isso.
Não. Não acho que devemos jogar estrume em quem
“ousou” mudar as práticas políticas
nesse país e que, por razões ainda pouco esclarecidas,
trocou os pés limpos pelas mãos imundas.
Sim.
Devemos dizer sim à cassação dos políticos
corruptos.
Sim. Devemos nos indignar sim, com as práticas imorais
e anti-éticas de quem assim procede.
Sim. Devemos exigir sim, que os partidos e os políticos
envolvidos na crise, venham a público e contem toda a
verdade e assumam seus erros.
Sim. Eternamente sim e para o bem geral do Brasil, devemos nadar,
em longas braçadas, na direção da moralização
das práticas e dos costumes, não só na
política, mas, também, em todas as outras áreas
de atuação, principalmente naquelas que conduzam
o nosso país no caminho da diminuição das
desigualdades sociais, na busca da liberdade de viver e de se
expressar e na convivência fraternal de todo seu povo,
tornando a nação socialmente mais justa e perfeitamente
harmoniosa nos seus interesses.