Oscar
Rezende
roscar@uol.com.br

Até
agora não me atrevi a escrever sobre a grave crise política
que afeta o nosso país. Não o fiz por dois motivos:
primeiro, pelo meu envolvimento ideológico com o Partido
dos Trabalhadores, o que me deixa emocionalmente despreparado
para analisar a crise; segundo, por acreditar que análises
corretas e isentas sobre qualquer crise, sejam elas políticas
ou pessoais, só são possíveis num contexto
histórico. Mesmo assim resolvi me abrir e dizer um pouco
sobre o que penso deste momento.
Não
fui um adesista da primeira hora ao Partido dos Trabalhadores.
Esperei um pouco para ver como as coisas caminhariam. Com o
passar do tempo, as teses sociais, políticas e econômicas
que o partido vem defendendo coincidiram com o caminho que acredito
ser o correto para a construção de uma sociedade
fraterna e justa. Fui, aos poucos, sendo conquistado pelas bandeiras
políticas do partido e me tornei um dos ferrenhos defensores
de suas políticas.
Também
não faço como alguns companheiros do partido,
que ao primeiro sinal de crise, saem correndo e amaldiçoando
tudo aquilo que acreditavam para tentar se salvar, como fazem
os covardes e os ratos quando o navio está afundando.
Não
quero falar aqui dos erros cometidos pelo Partido dos Trabalhadores,
pois eles já são conhecidos e analisados por muitos.
Hoje, o PT é um irmão gêmeo da Geni de Chico
Buarque, e, jogar “bosta no PT”, é tão
fácil que nem tem graça. O meu desejo é
de nadar contra a maré.
Na
minha modesta opinião, o que se vê hoje é
um oportunismo em se aproveitar dos erros imperdoáveis
cometidos por alguns dirigentes do PT, para construir uma bem
articulada vingança contra a ousadia de um partido, que
nos últimos 25 anos vem conseguindo mudar a sociedade,
atrapalhando e confundindo os planos daqueles que estão
“construindo” o Brasil desde o seu descobrimento.
Como
aceitar um partido político que organiza os trabalhadores,
principalmente os trabalhadores sem-terra. Aqueles miseráveis
e “bandidos” que não gostam de trabalhar
e só querem saber de invadir as propriedades privadas?
Como
aceitar um partido que incute na sociedade o conceito de que
o Estado deve trabalhar para todos, e não ser um cabide
de emprego para os filhos das elites privilegiadas, como acontecia
até há poucos anos, quando não existiam
os concursos públicos?
Como
aceitar um partido que organiza os movimentos sociais, dizendo
ao povo que não é preciso ser pobre para alcançar
o reino dos céus, como pregavam e pregam muitas Igrejas
a serviço das classes dominantes?
Como
aceitar um partido político que tenta mudar a face da
política brasileira, trazendo para os legislativos e
executivos representantes das classes populares, sendo que há
algum tempo atrás para representar o povo era preciso
possuir bens e fazer parte das elites?
Como
aceitar um partido que implanta o orçamento participativo,
em que o povo decide como deve ser aplicado o dinheiro público?
Como
aceitar um partido que sempre se levanta contra a corrupção
e prega a ética na política? Aqui, a vingança
é mais gostosa, e aqueles que desejam destruir o PT vão
ao êxtase.
Em
fim, como aceitar que um partido que interferiu tão vigorosamente
na forma de pensar a política no Brasil dos últimos
anos, e que tem conseguido, até mesmo que os seus mais
ferrenhos adversários usem como argumentos para derrubá-lo
as suas próprias bandeiras de luta?
Após
tantos questionamentos, e tantas evidências do “mal”
que este partido fez ao Brasil, só nos resta gritar:
- para o bem geral da política brasileira
, joga pedra no PT, joga bosta no PT, maldito PT!!.
