O PASSADO NOS APRISIONA. O PRESENTE NOS DESAFIA. O FUTURO DEPENDE DO AGORA.

Gilberto Vieira de Rezende
calcadense@bol.com.br


Ao reler o prefácio do livro da professora Mercês Garcia Vieira, escrito pelo Juiz de Direito, Dr. Pedro Borges de Rezende, no já longínquo ano de 1990, e agora publicado na revista eletrônica Broinha, causou-me certa angustia. Fico agoniado lendo essas reminiscências de Calçado porque, sabendo das dificuldades que existiam naquela época, é de se admirar que pessoas, que não se conformavam com aquela realidade local, se propuseram a mudar o rumo das coisas no município e, efetivamente deram vida e forma a seus sonhos e idéias.

Se formos comparar a realidade em que vive a cidade de Calçado, hoje, com a realidade vivida pela cidade no final dos anos 30, constataremos que as gerações mais novas foram e estão sendo, no mínimo, negligentes com os destinos da cidade. Naquele final dos anos 30 tudo levava ao desestímulo; as estradas eram de chão batido, o transporte praticamente inexistia, a monocultura do café, cujo preço cotado nos mercados interno e externo eram os mais baixos já registrados, deixava estagnava a economia do município. A coisa estava de tal maneira mal parada, que até os serviços de telégrafos estavam para ser desativados.

Entretanto, em meio a toda aquela dificuldade e da realidade que nada prometia, surgiram homens de coragem, de visão, de amor a terra, que não se conformavam com a idéia de que o destino estava traçado e que só restava a resignação. Logicamente que não é a história em si que me deixa agoniado, mas o meu pouco esforço ou a minha quase resignação de que não há o que fazer, hoje, para melhorar as condições sócio-econômicas de nosso município.

Achei a criação da revista eletrônica “O Broinha” e a fundação da ONG Amigos, as iniciativas mais importantes que já ocorreram nesses novos tempos. Ambas iniciativas tiveram o mesmo propósito daqueles que, nos anos 30, também não se conformavam com o status quo. Mesmo assim, passados 3 anos e muitas coisas discutidas, muitas propostas feitas, muitas boas idéias lançadas, pequenas ações realizadas, constato, com tristeza, que ainda não chegamos a lugar algum. Não temos uma definição do que fazer, não temos uma proposta do que executar, não temos idéia de qual seria o primeiro problema a atacar. Enfim, não temos norte. E é isso que angustia.

Temos várias sugestões expostas no site do Broinha, temos muitas pessoas que realmente desejam ajudar o município, temos vários conterrâneos em postos chaves na máquina governamental, temos vários conterrâneos bem sucedidos na iniciativa privada e que também desejam contribuir de alguma forma para que São José do Calçado saia do marasmo em que se encontra e não aceite, com resignação, que seu destino está traçado.

Com essa gama de pessoas que já expressaram no Broinha a vontade de colaborar, falta somente duas palavras para transformarmos em ação as propostas e idéias que pululam na ONG Amigos e no site do Broinha. Essas palavras seriam: Organização e Planejamento. Organizar o caos de propostas e idéias e, a partir dessa organização, planejar as ações viáveis a curto, médio e longo prazo, envolvendo todos que queiram ajudar, é a saída para essa encruzilhada em que se encontra nosso município.

Acredito que o primeiro passo para organizar e planejar esse verdadeiro mutirão de voluntariado, seria a realização de um seminário em Calçado, envolvendo a Prefeitura Municipal, o site Broinha e a ONG Amigos. Essas três entidades organizariam o seminário e definiriam qual ou quais assuntos seriam discutidos nesse primeiro seminário. Poderia, inclusive, fazer uma pesquisa na cidade e/ou no Broinha, para ouvir a opinião das pessoas a respeito de qual assunto que gostariam de ver discutido. Definido os assuntos ou temas (proponho o máximo de 3), partiria para organização do evento, os convites aos palestrantes e etc.

Temos que envolver todas as pessoas e entidades que queiram realmente contribuir com esse, volto a repetir, mutirão de voluntariado, inclusive envolvendo a política, de preferência somente a partidária. São José do Calçado não está em condições de manter um luxo democrático que é ter políticos da situação e políticos da oposição. Calçado precisa dos políticos, assim como os políticos necessitam do voto do povo calçadense. É uma questão de sobrevivência e competência. O político que melhor se apresentar perante o povo, se elege; o que melhor realizou em prol da comunidade que representa, se reelege. É assim que deveria ser e todos sairiam ganhando.

 

 



 

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