Gilberto
Vieira de Rezende
calcadense@bol.com.br

Se
a teoria evolutiva estiver correta, e eu acredito nessa corrente
de pensamento da ciência, nós, humanos, num passado
bem longínquo, éramos uma das espécies
de macacos que viviam perambulando nas savanas do mundo. Por
uma necessidade de sobrevivência, motivados pela escassez
de comida e para defesa da própria pele e de seu território,
alguns de nossos ancestrais macacos tiveram que partir para
a briga. Até então, os macacos eram todos vegetarianos
e, a partir dessa luta pela sobrevivência, alguns bandos
passaram a se alimentar, também, de carne, ou seja, de
proteínas e carboidratos. Nesse ponto, segundo alguns
cientistas, começou a diferenciação dos
macacos para o que hoje chamamos de humanos.
Os
macacos que passaram a fazer uso da carne na sua alimentação,
no decorrer dos milênios, ficaram mais criativos, criaram
armas para melhor se defender, bem como para abater suas caças,
etc. Enfim, evoluíram, mas essa evolução
não se deu por igual. Dependendo das condições
gerais da vida nas regiões da Terra, nossos ancestrais
desenvolveram habilidades diferentes, hábitos diferentes,
etc.
Bom,
ainda segundo alguns cientistas, foi na região onde hoje
está o continente africano, que se deu o ponta-pé
inicial da diferenciação do macaco para o homem.
Dali as correntes migratórias partiram para os diversos
pontos do planeta e se desenvolveram, cada um com suas características.
Agora vem a pergunta mais difícil: O que houve, no início
da diferenciação, com os hominídeos que
ficaram no continente africano? Será que a fartura em
potencial de carne, aliada ao perigo que representava a sua
captura, fizeram com que eles se “contentassem”
somente com o essencialmente necessário à sua
sobrevivência, e que isso dificultou, de alguma maneira,
um grau maior no ciclo evolutivo da raça? Será
que a opção de ficar no ambiente original, levou
a uma “aparentemente” diminuição na
necessidade de desenvolver novas técnicas de sobrevivência?
Será que essa “aparente” acomodação,
fruto de uma opção de sobrevivência feita
a milênios, tenha como resultado, hoje, essa perversa
desigualdade de oportunidades?
Talvez
essas perguntas fossem facilmente respondidas pelos antropólogos,
sociólogos e outros estudiosos da raça humana,
mas que alguma coisa aconteceu àqueles hominídeos
naquela região da Terra, isso eu acredito que aconteceu.
Como explicar que quase todos os povos do continente africano
se tornaram escravos de outras raças estrangeiras, com
pouca ou nenhuma resistência por parte da nação
invadida/escravizada? Como explicar que, mesmo escravizados
e, na maioria das vezes, exportados para outros países,
esses povos se mantinham, na medida do possível, alegres,
trabalhadores e cultores de música e dança?
Não
sei não, mas acho que nos primórdios do que podemos
chamar de a era dos hominídeos, houve uma certa acomodação
desses hominídeos que ficaram no continente africano.
“Optaram” em ficar onde estavam, enfrentando as
adversidades que as condições naturais da região
ofereciam e que eram conhecidas, a sair à procura de
lugares novos, desconhecidos, arriscando a sobrevivência
da raça.
Hoje,
no Brasil, somos uma mistura inicial de europeu com negro africano
e índio brasileiro, preponderando a raça negra
às demais raças. Posteriormente, uma forte miscigenação
com raças brancas de europeus, anglo-saxões e
asiáticos, deu no povo que temos hoje. Assim, à
medida que a miscigenação entre branco europeu
(português) e negro aumentava, de certa forma estava em
curso uma evolução genética menos vigorosa
do nosso povo e, conseqüentemente, o resultado levou a
uma perversidade com os novos negros e mulatos saídos
dessa miscigenação, conquanto não tiveram
força o suficiente para exigir melhores condições
de vida, de trabalho, de estudo, etc.
Talvez
a desigualdade de hoje seja um reflexo da diferenciação
ocorrida na cadeia evolutiva nas diversas raças de humanos,
onde não há culpados, todos somos frutos de opções
feitas a milênios, numa tentativa vitoriosa de sobrevivência.
Veja que, se essa teoria for verdadeira, sabemos que num futuro
nem tão distante assim, poderemos ser escravizados por
povos que atingiram um grau de saber maior, se não abrirmos
bem os olhos na questão da educação, principalmente
no quesito pesquisa científica. A educação
formal deve ser obrigatória, a qualificação
técnica ou universitária, para quem assim desejar
se profissionalizar em uma carreira. Entretanto, a pesquisa
científica deverá ser incentivada junto àqueles
que se destacam na vida universitária, para que o país
não fique à mercê do domínio estrangeiro,
proporcionado pelas novas descobertas científicas, com
base em tecnologias altamente desenvolvidas. Esse, talvez, seja
o maior desafio dos países, desenvolver sua cultura científica,
sem esquecer que a base de tudo é a educação
formal.
Em
um país de boa educação, a miséria
é pouca ou quase nenhuma, mas a desigualdade existe e
é até salutar. Todos lutam para alcançar
melhores patamares de condição de vida, mas lutam
com as mesmas armas. Sobressai quem melhor maneja essas armas.
Esse é o desafio para o Brasil: proporcionar melhores
condições de educação a seu povo,
para que ele possa almejar, em melhores condições,
novos e melhores níveis sociais de vida.
Esse
é o nosso desafio: eleger nossos representantes distritais
nas câmaras municipais e nas assembléias estaduais
e federal, cobrando deles, entre outras coisas, leis que assegurem
um orçamento digno para educação, que proporcione
exigir dos professores melhor capacitação e, consequentemente,
em contrapartida, proporcionar a eles melhores salários.
Não vejo e não acredito em outra forma de diminuir
a desigualdade social, que não seja começando
pela educação, passando pela educação
e terminando na educação.
