*Juliano Ribeiro Almeida
julianorial@gmail.com
Dois
mil e seis será um ano intenso para a prática
do “pão e circo”. Essa expressão veio
do Império Romano; na crise, os imperadores reuniam multidões
quase incontroláveis nos estádios e, enquanto
distribuíam pão para todos, apresentavam jogos
para a distração geral. Com isso, entretinham
as pessoas para acobertar a corrupção disseminada
e, assim, ainda por um bom tempo se arrastou o domínio
dos césares sobre as massas manipuladas. Como eu dizia,
em 2006 será fácil aplicar a política do
“pão e circo”. Temos “pão”
à vontade: os joguetes interesseiros das eleições
estaduais e nacionais, os arroubos de conserta-tudo-enquanto-é-tempo,
ou seja, a máquina administrativa prestando serviço
na propaganda eleitoral nada-gratuita etc. E temos, sim, o “circo”
do carnaval, da copa do mundo, do lenga-lenga das CPIs... Não
vai faltar descontração para nossas dores de cabeça.
Em 1990, foi ao ar a novela “O Salvador da Pátria”,
e muitos viram ali uma referência subliminar à
figura pretensamente renovadora de Fernando Collor de Melo.
Neste início de ano, a minissérie JK, além
de ser uma excelente produção artística
e histórico-documental, parece trazer novamente à
tona a imagem do herói que todos continuamos a querer
para nos governar. O homem que construiu Brasília parece
estar sendo apresentado em horário nobre para contrapor
o presidente que elegemos: apesar de também ter vindo
das bases, Juscelino foi doutor, influenciado pelo modernismo;
ele financiou a construção da capital com a dívida
externa que Lula agora quer pagar antecipadamente. Parece um
prelúdio; ouçamos a peça até ao
final. Será que vai aparecer algum outro salvador da
pátria por aí? Ou será que a saga de Kubistchek
serve apenas para nos lembrar que Brasília está
precisando ser reconstruída?
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Juliano Ribeiro Almeida, 25,é membro da Academia Calçadense
de Letras e diácono administrador da paróquia
Nossa Senhora do Amparo, Itapemirim-ES. E-mail: julianorial@gmail.com
