Gilberto
Vieira de Rezende
calcadense@bol.com.br

Não,
não vou reproduzir aqui a letra da música da banda
Legião Urbana, de autoria do compositor Renato Russo,
mas eu bem que gostaria de saber responder a pergunta-título.
Infelizmente não sei o que dizer diante desse bombardeio
diário de notícias que nos deixam, dia após
dia, com o sentimento de que nada valeu a pena. Parece que foi
ontem, jovens ainda, nos reuníamos no ginásio
de esporte da universidade para ouvir Belchior cantar “Como
Nossos Pais”.
Não,
também não vou reproduzir aqui toda aquela bela
letra que embalava nossa juventude, mas vou relembrar somente
o trecho que mais dói: “Minha dor é perceber
que, apesar de termos feito tudo que fizemos, ainda somos os
mesmos e vivemos como nossos pais”.
Nossos
políticos, longe de serem ídolos, não são
mais os mesmos, são muito piores. Infelizmente as exceções
são tão poucas, que seu brilho é ofuscado
pela imensa sombra de corruptos que assola o país, deixando
em nós, cidadãos e eleitores, dúvidas se
realmente somos competentes para escolher nossos representantes
nos poderes executivo e legislativo.
Quando
pensávamos que depois “delle”, não
apareceria ninguém igual ou pior, damos conta de que
as aparências enganam sim senhor, mesmo vindo floreada
com promessas que sempre acreditávamos serem nossos ideais.
“ Talvez eu esteja por fora, ou mesmo inventando, pois
no passado eu tinha a idéia de uma nova consciência”,
onde a decência e a ética, a moral e os bons costumes,
eram paradigmas na formação de um cidadão.
Os políticos, principalmente, deveriam ser reflexos dessa
nossa consciência, e em nosso país não haveria
perigo nas esquinas e nem sinal fechado para quem, diante da
corrupção, dissesse Não! Basta! Chega!
Se
você perguntar “pela minha paixão, digo que
estou encantado” e vou continuar morando no Brasil, não
vou mudar pro estrangeiro, não. Vou votar na nova eleição,
pois sinto vindo no vento, uma nova consciência, de que
votar é melhor que sonhar, mesmo que sonhar seja uma
coisa linda, mas o voto consciente faz a vida ser bem melhor.
Depende
de nós fazermos de nosso país, um país
melhor. “Sem que a gente precise sonhar”, esse país
ainda tem jeito, apesar de tudo que os políticos têm
feito para acreditarmos no contrário. Não, não
vou reescrever “Depende de Nós”, de Ivan
Lins e Victor Martins, que tão bem a compuseram por um
mundo melhor.
Mas,
e a nossa justiça? Que mal fizemo-la para sermos tratado
assim, sendo que nem responsáveis pelas escolhas dos
meritíssimos, somos. O que pensar de nossa suprema corte,
que liberta dois notórios bandidos ricos, sob a legação
de que seria constrangedor manter pai e filho trancafiados na
mesma cela. O que esperar do depoimento de um político
corrupto, se acobertado por um habeas-corpus, pode mentir descarada
e risonhamente.
E
agora, Rui Barbosa? Veja a que ponto chegamos. Nossos poderes
viraram podres poderes, as nulidades se destacam, a injustiça
campeia nos tribunais e o povo, tal e qual gado, morre de febre,
fome e sede.
Sim, vale a pena escrever, na íntegra, o que Rui Barbosa
achava de tudo isso que está nos afligindo hoje, e que
ele, já naquela época, se preocupava com os rumos
que as coisas tomavam: “ De tanto ver as nulidades, de
tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra de
ser honesto.”
Ainda
há tempo! Eleições são realizadas
de 2 em 2 anos. Só depende de nós.
