Juliano
Ribeiro Almeida
juliano.ribeiro@broinha.com.br

Aconteceu
o que Getúlio Vargas temia! Um comunista tomou o poder
no Brasil. Aldo Rebelo, do Partido Comunista do Brasil, foi
eleito presidente da Câmara dos deputados federais. Bastaria
um envelope de antraz circulando em Brasília para que
o comunista enfim assumisse o cargo de presidente da república,
dando uma vitória atrasada à coluna Prestes. A
presença de um comunista no corredor central do Palácio
da Alvorada, primeiro como ministro de Estado e agora como presidente
da Câmara aliado, indicado e apoiado pelo presidente Lula,
coloca-nos mais uma vez diante do grande pepino que seria uma
reforma política neste país...
Esta eleição seria legitimamente uma vitória
da proposta socialista para o Brasil se a esquerda dos partidos
de esquerda (quem entende isso?) tivesse se empolgado mais ao
ver um comunista chegando lá finalmente, ou ainda se
a direita liberal tivesse ficado mais ameaçada com a
ascensão de um projeto político historicamente
seu opositor. O pior é que não aconteceu nem uma
coisa nem outra. O nome Rebelo não representa uma ideologia,
senão apenas uma honra a ser levantada a qualquer custo:
a do governo Lula.
Os petistas migrantes para o PSOL, junto dos verdadeiros comunistas
de carteirinha, sentem agora, como nunca, saudades dos tempos
em que se ouvia dizer que "comunistas comiam criancinhas".
Pelo menos naquela época o comunismo representava uma
ameaça ao status quo. Agora, pelo menos o de Aldo Rebelo
não passa de uma cor, uma legenda, uma bandeira sem martelo
com a foice cega.
Outro exemplo de como anda desmoralizado o direito constitucional
de edificação político-partidária
é o recém-criado PMR – Partido Municipalista
Renovador –, chefiado por Edir Macedo, presidente da Igreja
Universal do Reino de Deus: renovador não sei em quê,
se representa nada mais do que uma roupa nova utilizada pelo
enlameado PL, tanto que se tornou público o fato de seus
estatutos plagiarem quase inteiramente os do Partido Liberal,
inclusive em alguns pontos esquecendo-se de trocar a legenda!
É
lamentável ver o próprio governador brincando
de filiar-se aqui ou acolá, transformando o que deveria
ser um compromisso ideológico em um showzinho como aquele
que é colocado como o último da noite para divertir
o público. Foi triste vê-lo namorando partidos
com propostas originariamente tão diversas, levando em
conta interesses eleitorais e quantitativos.
O
ato de filiar-se a um partido está longe de significar
um engajamento com uma causa; infelizmente, na maioria dos casos,
parece mais um contrato comercial. E deve haver também
nos termos desses acordos políticos aquelas linhas em
letras miúdas, com cláusulas que ninguém
se interessa em divulgar... Tudo isso seria uma vergonha republicana
se não fosse bom para que o atual sistema político
caia de podre.