H.Teixeira
de Siquiera
htsiqueira@ebrnet.com.br

Referente
a seu e-mail constante de O Broinha, mensagem datada de 18-08-2005,
conforme abaixo:
“A propósito do "A propósito do Distrito
do Divino Espírito Santo"
Não é nenhuma censura ou reprimenda, mas apenas
a bem da verdade histórica de nosso município.
Com relação ao texto do Herculano está
tudo certo, a respeito do que dizia seu tio Zico Camargo.
Mas o apresentador da matéria,errou ao dizer que as terras
do distrito foram doadas pelo Cajão Teixeira. O que foi
doado *(apenas 1 ou 2 litros de terra) foi o pedaço de
terra para a construção da igreja e seu pátio
ao redor.
E cuidado ao citar "Cajão Teixeira", pois eles
eram dois, pai e filho. O primeiro que também assinava
Dutra era filho do "tronco" Domingos Teixeira de Siqueira.
Confira em meu livro "Nossa Terra, Nossa Gente,Nossa História",
onde tem até a escritura da doação do terreno.
Esse livro está esgotado.”
Meu
caro amigo e parente Pedro Teixeira:
Com relação às suas observações,
vou tentar me justificar. Todas as informações
que tentei passar no meu escrito foram baseadas na tradição
oral da família, no que ouvi de meus pais, de meus tios,
de meus irmãos mais velhos, e de outros parentes. Não
me preocupei com nenhum rigor científico, não
fui a cartórios, não consultei documentos, não
vasculhei livros de registros.
Aliás, eu sempre achei que querer ser historiador é
muito complicado, “um saco”, implica em trabalho
exaustivo, pesquisa, cansaço e demanda de tempo, fora
as angústias da dúvida, para se concluir do valor
real e da validade dos documentos encontrados. Depois vem a
preocupação com a interpretação
desses documentos. Aqueles muito antigos são confusos,
de difícil leitura, nem sempre em bom estado de conservação.
Tarefa para gente abnegada como o Zico Camargo e outros de sua
têmpera. Por falar nele, gostaria de lembrar que tenho
em meu poder uma cópia de um documento muito interessante,
fornecido por ele, “O Formal de Partilha” do inventário
do primeiro Teixeira de Siqueira (Francisco Teixeira de Siqueira,
o imigrante português que chegou ao Brasil no final do
século 18). Ali vemos discriminados uma relação
enorme de bens, variando desde as propriedades, as grandes áreas
de terra, as lavouras de café, os escravos, citados nome
por nome, os canaviais, os animais domésticos, igualmente
com seus nomes, e no final um detalhe, minudências, coisas
aparentemente sem importância, como móveis velhos,
ferramentas usadas, utensílios de cozinha, entre os quais
um tacho velho de cobre, e uma gamela quebrada. Junto com a
relação de bens, numa mistura, confusão
danada, são nomeados os herdeiros, seus novos proprietários.
Mas vamos ao que nos interessa.
De início, sobre o terreno doado pelo meu avô (Cajão
Teixeira) ao Divino Espírito Santo para implantação
da vila do Jacá. Desculpe, Jacá não, se
falasse assim na frente do velho era briga certa, mau humorado
corrigia, “Jacá não, Vila do Patrimônio
do Divino Espírito Santo”. Eu sempre achei razoável
pensar no que os membros da família me diziam, em meio
alqueire (20 litros), pois a área sempre me pareceu bastante
ampla para se restringir ao que você afirmou. Eu freqüento
(ou freqüentava) o Patrimônio desde o início
dos anos 1940, na minha primeira infância, e a área
do terreno parece que continua a mesma, exceção
de alguns pequenos lotes (poucos) que recentemente o meu cunhado
Luiz Lopes de Rezende desmembrou de sua propriedade e vendeu
a alguns particulares, lá no final da Rua do Canto.
Senão vejamos: a gente atravessa o pontilhão e
entra na vila, segue pela rua principal que é bem larga,
com casas dos dois lados, todas com quintais também amplos.
Segue-se por uns cem, cento e cinqüenta metros, até
ao largo da capela, à direita. Junto desta, à
direita, há também uma outra rua, ou pelo menos
uma fila de casas, igualmente com quintais grandes, que vão
até ao córrego. No outro lado da capela está
o prédio da escola pública, e mais adiante o campo
de futebol. Voltando à rua principal e seguindo por ela,
percorremos mais um bom trecho e adiante, após uma curva
de 90 graus á esquerda, entramos na Rua do Canto. Bastante
terreno, não?
Eu continuo achando que esse terreno todo foi o que Vovô
Cajão doou, pois a área é contígua
às terras que foram dele, praticamente dentro de sua
propriedade. Pelo que sei, na época não havia
outro proprietário de terras nas proximidades. Além
disso, nunca ouvi notícia de que a Igreja ou a Prefeitura
desapropriassem terras na região para aumentar a vila.
Isso não era praticável ou comum na época.
Outra hipótese: Invasão das terras? Impossível,
os filhos do Vovô teriam colocado os invasores para fora,
na base do grito, do pontapé ou do trabuco, como era
costume naqueles tempos.
Atendendo sua sugestão, consultei o seu livro (pois eu
o tenho, ele e outros, sou seu fã), mas não localizei
a “escritura da doação”. Ou eu estou
sendo muito inepto, ou você se enganou. A única
referência a Cajão Teixeira e ao Patrimônio
do Divino que localizei está na página 168, quando
você faz uma cronologia de alguns fatos relacionados com
a história do município, onde se lê:
“1925 – João Teixeira de Siqueira Dutra (Cajão
Teixeira) doa as terras (oito litros) para a construção
da capela do Jacá, em louvor do Divino Espírito
Santo”; mais embaixo, na mesma página:
“1927 – Inauguração da capela do Jacá,
no terreno doado pelo Cajão Teixeira, em louvor do Divino
Espírito Santo”.
O
outro ponto de nossa discórdia está no que concerne
aos dois Cajões. Havia somente um, o meu avô, João
Teixeira de Siqueira Dutra. Para esclarecer melhor, relaciono
abaixo os membros Teixeira de Siqueira da minha genealogia:
1. Francisco Teixeira de Siqueira (o imigrante português);
2. Domingos Teixeira de Siqueira ( primeiro filho do Francisco);
3. João Teixeira de Siqueira Magalhães (O Vovô
Teixeira, terceiro filho do Domingos)
4. João Teixeira de Siqueira Dutra (O Vovô Cajão,
primeiro filho do Vovô Teixeira);
5. Enes Teixeira de Siqueira (terceiro filho do Cajão);
e
6. Herculano Teixeira de Siqueira (décimo primeiro filho
do Enes).
Agora,
mais uma curiosidade, para você conferir.
Porque lhe chamei de parente?
Estive olhando no livro do Zico Camargo e conclui que tanto
seu pai, José Ramos, como sua mãe, Conceição,
eram bisnetos do meu tetravô Domingos Teixeira de Siqueira.
Senão vejamos.
No Livro consta que José Ramos de Almeida era filho de
Maria José Teixeira de Almeida, que por sua vez era filha
de Leopoldina Teixeira de Siqueira (a filha caçula do
Domingos). Sua mãe, Conceição, era filha
de Maria Teixeira de Siqueira Magalhães, filha de Joaquim
Teixeira de Siqueira (o sexto filho do Domingos).
Portanto, estamos ligados num ancestral comum, Domingos Teixeira
de Siqueira, e somos parentes. Primos de grau “n”,
mas somos.
Cordialmente, com um abraço do primo
H. Teixeira de Siqueira.
Vila Velha, agosto de 2005.