Juliano
Ribeiro Almeida
julianorial@gmail.com
O
recente episódio do panfleto prestes a ser distribuído
durante a parada do orgulho gay em São Paulo nos fala
de algumas coisas que não podem passar em branco. Trata-se
de material pago com dinheiro público, inclusive com
a logomarca do governo federal, trazendo, dentre outras imoralidades,
informações sobre qual a forma politicamente correta
de cheirar cocaína e como fazer higienicamente um cigarro
de maconha. Se os homossexuais organizados queriam, com esse
movimento, afirmar a dignidade de sua condição
e exigir o respeito às suas opções, o que
conseguiram foi deixar mais evidente o que todos, no fundo,
já sabem: há um submundo de depravação
e toda sorte de erros morais na onda de "orgulho gay".
Para
começar, é aceitável falar de orgulho em
identidade sexual? Se alguém vier a público e
disser que tem orgulho de ser heterossexual, provavelmente vai
ser (mal?) interpretado como sendo preconceituoso e digno de
cadeia perante a nossa carta magna. Se a intenção
dos movimentos promotores da parada é protestar contra
a discriminação, encher o trio elétrico
justamente com as caricaturas mais preconceituosas da homossexualidade
– travestis, transexuais e figuras explicitamente apologéticas
à prostituição e à promiscuidade
– e ainda por cima ostentar a palavra orgulho diante de
tudo isso soa de forma negativa, dando um tom de arrogância
e presunção.
Devemos
ter orgulho de ser brasileiros, orgulho de ser trabalhadores
e honestos, orgulho de não financiarmos o tráfico
de drogas e o crime organizado, orgulho de defender os valores
da família e de colocar limites aos próprios impulsos
e fantasias, orgulho até mesmo de assumir os próprios
desejos para si ao invés de camuflá-los perversamente,
orgulho de viver sadiamente com a própria identidade
e/ou opção sexual, seja ela qual for. Este é
um "santo orgulho"; e "orgulho" aqui é
até uma palavra de efeito que quereria dizer, na verdade,
honra, satisfação, dignidade. Mas orgulho de fazer
parte de um grupo que se diz tão unido e numeroso e que
traz junto de si a apologia ao uso de drogas ilícitas
e a ideologia da libertinagem sexual que destrói casamentos
e é grande responsável pela Aids e outras doenças?
Onde está a honra de fazer parte de um grupo desses?
Parece
que, diante dessa onda do "tudo pode", o governo pretende
investir aos poucos numa política pública de "redução
de danos". É uma opção grosseira por
uma má interpretação do instituto ético
do "mal menor". A filosofia moral ensina que, diante
de um impasse no qual um mal é inevitável e evidente,
a consciência deve procurar extrair daí o menor
dano possível, para salvar ao máximo que puder
a dignidade humana. Mas essas situações são
limites e gravíssimas, pontuais e específicas.
Não se pode aplicar à revelia essa solução
pensando que ela é sempre moralmente justificável.
Neste caso específico, diante da disseminação
das drogas entre o público da parada gay, o correto seria
investir pesado na conscientização quanto aos
prejuízos destas à saúde, à ordem
jurídica e à paz cívica. Considerar aquele
público como alvo de um mal inevitável e evidente
equivale ao cúmulo do preconceito; seria afirmar eugenicamente
que o homossexualismo traz em si alguma propensão à
dependência química.
O
governo cai, na verdade, numa grande incoerência se, por
um lado, diz que o consumo de drogas é ilícito
e, por outro lado, dá dicas de como fumar bem um baseado.
Nesse ritmo em que se está, é possível
que até cheguemos à publicação de
cartilhas trazendo outras úteis orientações:
"como desviar dinheiro público com eficiência",
ou "dicas para um aborto seguro", ou ainda "aprenda
a montar o seu próprio ponto de drogas"... Ainda
bem que, na última hora, o mínimo do pudor e da
prudência acabou vencendo a presunção da
libertinagem!
