Jorge Luis Vargas dos Santos
ticogessinger@yahoo.com.br
Estou
assombrado com o filme Antes de Partir. Encantado com sua fundamentação
sobre o sentido da vida. Pensativo no que significa antes e
partir. Deslumbrado com as inúmeras possibilidades do
homem em buscar e encontrar sentido a sua existência.
Enfim, o filme Antes de Partir, narra a vida de Edward Cole
(Jack Nicholson) e Carter Chambers (Morgan Freeman), dois homens
com câncer em estágio terminal, que fogem do hospital
e põem os pés na estrada com uma lista de coisas
que gostariam de fazer antes de morrer.
O maior desejo e desafio de Edward Cole e de Carter Chambers
foi: encontrar a alegria da vida antes de partir. Para o pensador
francês Jean-Paul Sartre “a existência necessita
de significado”. Qual seria o significado da vida? Qual
o sentido da vida?
Para os dois homens com câncer em estágio terminal,
viver passou a significar encontrar a alegria de suas vidas,
realizar o sonho adormecido, desencobrir à vontade para
descobrir o significado de suas existências.
Na contra mão da civilização capitalista
neoliberal, individualista e plural, raízes da mixofobia*
(sensibilidade alérgica e febril aos estranhos e ao desconhecido),
o filme Antes de Partir reflete sobre uma ou senão a
maior angústia do ser humano: medo de morrer sozinho.
Nesse sentido, criar elos sólidos e duradouros consigo
mesmo, com os outros, com a natureza e com o transcendente corresponde
encontrar alegria e sentido de viver.
Em busca da alegria de viver enquanto ainda tinham vida, Edward
Cole e Carter Chambers tiveram que escolher entre: morrer infeliz
ou encontrar a alegria antes de partir. Como cidadãos
do mundo além fronteiras foram em busca da alegria. Listaram
alguns desejos adormecidos pela rotina da vida moderna e pelo
medo. Desejos como: rir de chorar, ajudar um estranho sem nenhum
interesse, escalar o pico do Everest, saltar de pára-quedas,
visitar as pirâmides do Egito, beijar a mulher mais linda,
ir à África etc.
Onde está a alegria de nossa vida? Como podemos encontrar
a alegria da nossa vida? Parece-me que a alegria não
está no antes ou no depois, na partida ou na chegada,
mas intrinsecamente no caminho do caminhante. Não está
dentro ou fora de nós, mas entre nós. Não
está com as crianças ou com os adultos, mas na
totalidade do ser humano. Além do mais, para encontrar
a alegria que tanto almejamos não adianta fugir do mundo,
esconder dos conflitos, idealizar tempos e espaços, o
essencial é achar a alegria de viver neste tempo e nesse
espaço.
Sócrates interpelava aos sofistas: “conhece-te
a si mesmo”. Pobre dos sofistas que pensavam que conhecer
era exclusivamente persuadir, conquistar e dominar. Sábio
foi Sócrates, sabia que conhecer vai muito além
de pensar quem somos, para Sócrates conhecer significava
tornar real aquilo que somos e buscamos.
Por fim, agora sei que: partir antes de viver é o mesmo
que partir sem nunca ter chegado. Aprendi que: antes de partir
é preciso chegar. Só parti quem chega. Só
chega quem partir.
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*Para
Zygmunt Bauman na obra Amor Liquido, mixofobia está presente
nas relações liquidas das grandes cidades. é
caracterizada pela sensibilidade elérgica e febril aos
estranhos e aos desconhecido.
