Juliano
Ribeiro Almeida
julianorial@gmail.com
As crises; são tantas e não temos idéia
melhor do que fazer aquilo que cantou Zé Geraldo: "isso
tudo acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos
pombos". A crise envolvendo os controladores de vôo
brasileiros desta Semana Santa tem me feito pensar na falta
de controle geral da situação em que vivemos.
Em
setembro de 2001, o mundo descobriu que os Estados Unidos da
América, na verdade, não detinham, como demonstravam,
todo aquele controle sobre si e sobre tudo; assisti recentemente
a um filme que ironizou ao mostrar como os controladores de
vôo de Manhattan ainda nem tinham idéia do que
estava acontecendo quando viram pela tv as primeiras imagens
da tragédia.
Aqui
no Brasil, o acidente com o vôo 1907 da Gol, em setembro
de 2006, foi a ponta do iceberg de toda essa crise aérea,
diante da qual o governo brasileiro tem se demonstrado completamente
incapaz e sem planejamento. Os controladores aéreos resolvem
fazer uma greve e o país simplesmente pára. De
repente, quem não tinha medo de voar tratou de arranjar
logo um, porque percebeu que o céu está mesmo
descontrolado. Desmandos e desacatos à parte, foi bom
sentirmos falta dos controladores, para tomarmos mais consciência
do quanto estamos mesmo é sem controle, no céu,
em casa, na política, no trabalho, em toda parte.
O
rabino Henry Sobel acabou surgindo no meio deste grande turbilhão
como um ícone da nossa situação: homem
profundamente engajado historicamente na luta pela cidadania
neste país, Sobel simplesmente perdeu o controle e, arbitrariamente
medicado, roubou quatro gravatas de uma loja de grife americana.
Transtorno de humor, dizem os médicos. É claro
que uma pessoa deve ser julgada pelo conjunto das opções
e atitudes que tomou na vida e não em função
de um deslize, seja qual for a causa. O preocupante não
é um crime com o qual devamos nos decepcionar, mas o
descontrole, diante do qual apenas tememos.
Que
bom: tanto os controladores de vôo como o rabino fora-de-si
apareceram depois para pedir perdão pelo "descontrole".
No pronunciamento de Sobel, uma frase me chamou a atenção:
"é muito difícil para mim explicar o inexplicável".
A nossa sociedade se sente exatamente assim, sem explicação
para tantos descontroles. Há bem pouco tempo, os pensadores
nos ajudavam a entender a pós-modernidade dizendo que
era tempo de "mudança de paradigmas". Mas o
que estamos sentindo é que parece simplesmente não
haver mais paradigma a ser seguido.
Estamos
passando a viver em função de controlar o incontrolável!
Quer ver?: a falta de um programa de controle ambiental está
sendo percebida agora por causa do alerta dos cientistas acerca
do aquecimento global. No Rio de Janeiro, polícia entra
em crise filosófica, para tentar descobrir as causas
dos atentados contra policiais, que são simplesmente
incontroláveis e sem causa razoável.
São
Paulo, na Carta aos Gálatas, afirma que um dos frutos
do Espírito Santo é o autocontrole, controle de
si mesmo (cf. 5,22). Enquanto aprendemos a controlar coisas
miúdas como o tráfego aéreo ou a temperatura
global, não podemos deixar de lutar pelo controle do
mais incontrolável das criaturas: nós mesmos...
