FUTILIDADES DA COPA

*Juliano Ribeiro Almeida
julianorial@gmail.com


Com a genuína paixão brasileira pela bola, o megainvestimento das principais redes de televisão do mundo e a expectativa gerada pela euforia do pentacampeonato mundial, está no ar mais uma exagerada dose de futebol. E quem não gosta do esporte, que se agüente na poltrona, pois tudo indica que vem aí o já conhecido exibicionismo televisionado daquele que se autointitulou "o maior espetáculo da terra".

Ele começa a estar por toda a parte: nas ornamentações pelas ruas e residências, no comércio, nos jingles, nos out-doors e nos pop-ups. Mas nada comparável à cobertura que a Copa do Mundo de Futebol recebe na TV. Entre uma reportagem e outra sobre o programa nuclear iraniano, as eleições no Peru e as vítimas incontáveis do terremoto na Indonésia, o verde-e-amarelo exaustivo em forma de bola invade as programações em geral, deixando pouco espaço para que se perceba que a vida continua, dramática e pedinte, para aquém das investiduras futebolísticas.

Sem querer parecer um extraterrestre, um mal-humorado, pessimista ou moralizador: será que não é um contra-senso que se invistam tantas atenções na Copa num momento tão crucial de nossa vida pública? Francamente: quem assistiu ao "Fantástico" no último domingo deve ter pensado que acordou de um sonho mal, em que contracenavam PCC's, CPI's, PT's e outras siglas que já não dizem nada.

Tudo bem que as teorias neurolingüísticas defendam a necessidade de "aparelhos de conversa", e algumas psicologias insistam na importância do lúdico para o equilíbrio da personalidade. Mas o que estamos assistindo é a mais um grande "reality show", promovido desta vez pela alta tecnologia alemã e patrocinado pelo pool de grandes emissoras mundiais. Trata-se de um grande arsenal de informações descartáveis em que se mostram, contra todos os padrões da inteligência humana, trivialidades que vão dos vídeos do Ronaldinho cantando seu pagode às manias de Zagalo com o número 13; tudo isso como se fosse notícia, como se fosse "fantástico". Convenhamos: isso não informa, nem relaxa, nem diverte, nem entretém. Isso não tem absolutamente nada a ver com esporte. Isso só serve para que, na segunda-feira, as pessoas se perguntem porque gastaram tempo com aquilo; porque não escolheram ir dormir mais cedo...

E quanto ao hexa, não direi que o brasileiro precisa aprender a perder. O brasileiro, na verdade, precisa aprender a ganhar no que realmente importa. Se o futebol fosse, de fato, tão importante para o bem-estar do nosso povo como dizem, os jogadores da seleção brasileira não precisariam morar fora do Brasil para encontrar reconhecimento, seriedade e segurança; nossa gente não teria aprendido a perder com tanta passividade para a corrupção e o crime organizado. Se fôssemos tão determinados na política quanto somos no futebol, nossa realidade seria bem melhor para todos.


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Juliano Ribeiro Almeida é membro da Academia Calçadense de Letras, sacerdote católico e exerce seu ministério na paróquia Nossa Senhora do Amparo, Itapemirim-ES


 



 

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