Juliano
Ribeiro Almeida
julianorial@gmail.com
Na sua terceira posse como presidente da Venezuela, Hugo Chávez
prometeu fidelidade ao que chamou de "socialismo do século
XXI". O deputado venezuelano Juan Carlos Dugarte, em recente
entrevista ao jornal Folha de São Paulo, tentou explicar
do que se trata isso. Segundo ele, "o social é o
mais importante para a revolução bolivariana.
Cristo praticava a solidariedade, o amor, valores que se perderam
no mundo. Queremos resgatá-los"...
Vamos por partes: Na ONU, Hugo Chávez se referiu a George
W. Bush como ao Diabo. Agora este aliado usa argumentos religiosos
para explicar o socialismo que querem implantar lá. Afinal,
o diferencial do socialismo no século XXI é que
ele deixou de ser hostil às religiões? O papa
Bento XVI acaba de se pronunciar quanto ao perigo de regimes
autoritários na América Latina (talvez seja uma
referência à Lei Habilitante, pela qual Chávez
vai governar o país por decreto durante 18 meses, fazendo
ele mesmo o que compete ao parlamento...). Chávez respondeu
às críticas de bispos venezuelanos dizendo: "Eu
não gostaria de voltar aos tempos do confronto com os
bispos, mas não é minha escolha... eu estarei
aqui com meu fogo, defendendo o Estado Venezuelano".
Deixando motivações religiosas de lado (se é
que é possível comprender o chavismo como não
sendo uma espécie de religião), o fato é
que Hugo Chávez está conseguindo ser uma espécie
de pontífice da esquerda sulamericana, e vem conseguindo
cada vez mais adeptos: o nosso Lula, Evo Morales na Bolívia,
Miclelle Bachelet no Chile, Néstor Kirchner na Argentina,
Daniel Ortega na Nicarágua, Correa no Equador etc...
há um levante histórico na América Latina
que pretende contrapor o imperialismo norte-americano, que por
si mesmo já não está bem das pernas.
Não se sabe ainda no que vai dar esta tentativa continental
de mudar paradigmas centenários em nossas nações
latinas. O encontro destes chefes de Estado no Rio de Janeiro
talvez aponte alguns caminhos, ao menos nos acordos comerciais,
que são a alma do negócio nas relações
internacionais. Enquanto isso, peçamos a intercessão
de "São" Simón Bolívar para que
toda a revolução socialista de Chávez não
descambe em mais ditaduras para a nossa tão torturada
América Latina.
