O BRASIL DOS BANDIDOS OU OS BANDIDOS DO BRASIL?

*Márcio Furtado
marciofurt@yahoo.com.br


Hoje, mais do que nunca, tenho a certeza de que o que eu disse para um amigo há mais de 20 anos repetiria com as mesmas palavras. Era num sábado, quando me encontrei, em Bom Jesus do Itabapoana/RJ, com o José Carlos Lopes e sua querida esposa Maria Aida. Estávamos conversando sobre problemas relacionados ao funcionalismo público, quando em determinado momento eu falei que tinha um arrependimento muito grande de ser funcionário público e um desgosto profundo de ser brasileiro. Lembro-me que, naquela época, o casal de amigos chegou a dizer que eu estava exagerando.

O que me levou a dizer isto há tanto tempo atrás? Em termos da carreira que eu tinha (professor do ensino fundamental e médio), simplesmente era uma vergonha.
Nunca o estado valorizou o professor, tanto quanto ao mísero salário como à carreira propriamente dita, quando de nada valia ser dedicado ou mesmo correto com suas obrigações. Já em relação à nacionalidade, tinha vergonha de ser brasileiro porque só se ouvia falar em políticos corruptos e desonestos em todos os níveis de governo (municipal, estadual e federal), incluindo o legislativo e o executivo.

Agora, o que mudou? Tudo mudou. Algumas coisas, para melhor e muitas outras, para pior. Mudou o clima, pela ação dos homens. Mudou a história, pela ação dos homens. Mudou o comportamento das pessoas em relação à paz no mundo, pela ação dos homens. Mudou o relacionamento entre as pessoas, pela ação dos homens. Mudou o sentimento das pessoas em relação ao amor, pela ação dos homens. Mudou a forma de se vestir, de se alimentar, de se comprar alguma coisa, de produzir os bens de consumo, de praticar esportes e até de se buscar o lazer, tudo pela ação dos homens.

As pessoas são más e perversas. Já trazem no sangue o instinto de querer tirar proveito de todas as coisas que intencionam fazer. Principalmente, na política onde, com raríssimas exceções, não se consegue achar alguém honesto e com vontade de cumprir o que, em palanques, prometeu. É a maior quadrilha de bandidos da história do nosso país. É na política, do mais analfabeto dos vereadores ao mais alto escalão do governo federal, que estão os piores bandidos. Bandidos que não usam arma de fogo para os assaltos que realizam. Bandidos que tiram dos mais pobres e levam para os mais ricos. Bandidos que a população brasileira continua protegendo com seu voto em troca de meia dúzia de falsas promessas.

Crime maior do que os anunciados pela mídia todos os dias, mais notadamente nas grandes capitais brasileiras, é o que a governo vem fazendo com os assalariados, tirando-lhes grande parte dos seus proventos, mensalmente e durante a entrega da declaração de rendas (como se salário fosse renda!), para encher os bolsos dos políticos brasileiros que, além dos altos salários determinados por eles próprios, levam diversos benefícios aprovados em seções plenárias das câmaras municipais e federais, assembléias legislativas, bem como do senado federal. Salários e benefícios esses pagos com o dinheiro do povo que continua com a esperança de ver um Brasil melhor.

Para disfarçar um pouco o tamanho do lamaçal em que se meteram os homens públicos do nosso país, de vez em quando, ouvimos nos noticiários que fulano e beltrano estão envolvidos em mais um escândalo e que deverão prestar depoimentos em alguma CPI (Comissão dos Políticos Incompetentes). Depois, como forma de ocultar punições que não são aplicadas à maioria (não têm como justificar para a sociedade), começa o governo a divulgar outros fatos, como: reformas ministeriais, onde a “emenda fica ficar que o soneto”; políticas para combater a fome, onde mais um montão de dinheiro vai ser colocado à disposição de projetos inúteis e que se prestam mais para engordar o bolso dos que já têm o bastante; políticas sem fundamento para combater a violência causada pelo próprio governo que não quer resolver os problemas sociais; políticas racistas para criar cotas, no ensino superior, para os negros, quando o correto seria melhorar as condições do ensino (fundamental e médio) e reservar mais de 60% das vagas nas Universidades Federais para as pessoas carentes (Para os ricos, existem as instituições particulares); políticas fracassadas de geração de empregos, quando nada se faz em relação à distribuição de rendas, à informalidade onde está um número elevado de empresas (pela grande quantidade de impostos).

Na realidade, devemos dizer que é O BRASIL DOS BANDIDOS, pois os bandidos do Brasil tomaram conta do nosso país. Querendo ou não, estamos nas mãos desta corja de vagabundos que, por trás do que denominam de partidos políticos, vão fazendo um verdadeiro arrastão, levando da sociedade o sonho de uma vida melhor, e deixando um rastro de sujeira que nos envergonha.

Será que para consertar o Brasil, teríamos que passar por tudo que passamos durante a ditadura militar? Esta é a democracia que tantos brasileiros pediram? Entregar o país aos bandidos é o preço que estamos pagando para não vivermos debaixo da repressão militar?

O cantor Galvan nos mostra, através da música Espinheira Danada, uma letra que reflete bem a realidade da população brasileira, ou seja: “Êta Espinheira danada que o pobre atravessa pra sobreviver. Vive com a carga nas costas e as dores que sente não pode dizer. Sonha com as belas promessas da gente importante que tem ao redor. E quando entrar o fulano, sair o sicrano será bem melhor. Mas, entra ano e sai ano, e o tal de fulano ainda é pior. Esse é meu cotidiano, mas eu não me dano, pois Deus é maior. Êta que gente danada que esquece de vez a palavra cristã. Ah! Eu queria só ver é se Deus se zangasse e voltasse amanhã. Seria um Deus nos acuda, um monte de Judas querendo perdão. Mas a esperança é miúda e a coisa não muda, não tem solução. Nem tudo que a gente estuda, se agarra e se gruda, rebenta no chão. Mas o mundo não acaba aqui. O mundo ainda está de pé. Enquanto Deus me der a vida, levarei comigo esperança e fé”.

Espero que algum dia (Oxalá não esteja este dia tão distante!) as coisas possam tomar novo rumo neste Brasil que muita gente quer que seja melhor. Que a maioria dos políticos seja mais responsável e passe a cumprir o que determina nossa Constituição. Que os homens de bem tenham oportunidade de assumir cargos que, até então, estão nas mãos de pessoas inescrupulosas e que não sabem o mal que estão fazendo ao nosso país. Que o povo brasileiro acorde e que, nas próximas eleições, não mais dê seu voto a essas pessoas.

*Engenheiro Agrônomo e Professor da UVV.

 



 

O broinha - www.broinha.com.br - todos os direitos reservados