OU MORRER PELO BRASIL?

Juliano Ribeiro Almeida
julianorial@gmail.com
http://julianoribeiro.blogspot.com


O escândalo que foi, no Senado Federal, a votação secreta que absolveu Renan Calheiros neste triste 12 de setembro nos leva a constatar, uma vez mais, a grave crise ética em que nos encontramos. Esse relativismo moral, digno de paralelismo com sociedades falidas como o Império Romano da alta Idade Média, é o cúmulo e o auge da hipocrisia cívica e do banditismo republicano.

A questão seria simples e óbvia se não fosse irracional: há informações concretas e detalhadas comprovando que Renan recebia dinheiro de um lobista para pagar as contas de seu adultério; há notas comprovadamente falsas que testemunham o seu enriquecimento bem além das possibilidades legais; há denúncias graves por investigar de que ele seria sócio de veículos de comunicação cujas concessões foram obtidas por pura influência política. Há ainda o pior de tudo: colocado para depor, ele simplesmente não consegue explicar nada disso; seus argumentos não convencem nem o mais ingênuo (sic) dos senadores, Almeida Lima (que infelizmente traz o mesmo sobrenome que eu...). Não obstante tudo isso, e apesar do parecer do Conselho de Ética do Senado, o plenário vota pela permanência do mandato de Renan, dando vitória àqueles seus comparsas que têm a petulância de dizer aos microfones: não há evidências, não se consegue provar nada contra ele...

Onde está a objetividade das coisas? O comediante estadunidense Julius Henry Marx já brincava: “Afinal, você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?” Não é possível que tudo seja tão relativo assim! Alguém pode duvidar da existência de Deus, que não deixou prova cabal alguma de que existe; mas como fingir que é mentira o trabalho concreto, visível e palpável de tantas pessoas sérias que mostram por a mais b o castelo de areia que construíram para si? Até uma novela das sete tem mais compromisso com a realidade do que esses políticos calhordas (eles deveriam também trazer a legenda, no fim da vida: “qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência”).

Uma semana após comemorarmos a independência do Brasil, somos obrigados a recolher nosso orgulho civil, a guardar nosso patriotismo junto com a bandeira nacional, calar nosso senso de cidadania junto com o disco daquele hino que já nem mais sabemos de cór: ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil... Bem disse São Paulo: “Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa, talvez alguém se anime a morrer. Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando ainda éramos pecadores” (Rm 5,7-8). Por este Brasil que se mancha no lamaçal da impunidade vergonhosa, por este eu não morro. Por este, nem Tiradentes, nem Domingos Martins nem herói algum da nossa história morreria...


_______________________________________________________________________
Juliano Ribeiro Almeida é presbítero da diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Email: julianorial@gmail.com

 



 

O broinha - www.broinha.com.br - todos os direitos reservados