Juninho
Coimbra
Neste
mês de julho último assistimos aos tão esperados
“Jogos Pan Americanos” do Rio de Janeiro (que, sabe-se
lá o porquê, a Globo o denominava PAN DO BRASIL).
Festa
de abertura primorosa, encerramento lindíssimo, o Brasil
conquistando o maior número de medalhas entre todas as
edições dos PAN’s.
Agora
nesta semana fomos brindados também com um novo evento
a ser realizado no Brasil. A tão esperada COPA DO MUNDO
DE FUTEBOL de 2014. Uma grande festa a ser feita, com certeza,
literalmente uma grande festa.
Festa
do futebol, festa do torcedor, festa com o dinheiro público
etc. Sim, festa com o dinheiro público!!!
Senão
vejamos o exemplo recente do PAN.
O
planejamento de gastos para o PAN extrapolou em alguns bilhões
de reais à mais a previsão original em, aproximadamente,
cerca de 800%. Como prova disto tomarei como exemplo somente
uma obra: o Estádio de Futebol que foi construído,
denominado de “Estádio João Havelange”,
popularmente chamado hoje de “ENGENHÃO”.
Esse
estádio tinha como previsão de gastos para sua
construção algo em torno de 80 milhões
de reais. Entretanto, ninguém sabe o porquê, e
explicações convincentes não foram dadas,
nesse mesmo estádio foram gastos algo em torno de 400
milhões de reais. Todo o dinheiro proveniente dos cofres
público.
Após
tamanha diferença, uma CPI na câmara de Vereadores
do Rio de Janeiro foi instalada, porém a mesma está
SUSPENSA (estão tentando abafá-la). O objetivo
único é investigar esses gastos (do PAN em geral).
Casos
de superfaturamento de obras, e obras sem licitação
(é o que mais houve) foram detectados pelo Tribunal de
Contas da União. Isso sem se falar em empresas ligadas
a dirigentes do Comitê Organizador do PAN que prestaram
serviços no evento.
Existe
um relatório do TCU que aborda todas essas irregularidades.
Fizeram um planejamento e esse planejamento foi totalmente modificado.
Foram fazendo as obras e acabando o dinheiro, faziam novas dotações
e o dinheiro indo pelo ralo, enquanto as previsões, estas
foram totalmente extrapoladas.
O
Governo Federal é que se deu mal em toda essa confusão.
Praticamente ele se tornou o avalista do evento, teve que desembolsar
muito mais do que o previsto, em socorro à Prefeitura
do Rio de Janeiro que não tinha como bancar tamanho dispêndio.
Não
bastasse isso, outro absurdo relacionado a este Estádio
veio depois do PAN. Realizou-se um leilão (????), ou
seja, uma licitação pela Prefeitura do Rio, com
o objetivo de dar a concessão de exploração
do estádio a quem tivesse interesse. E quem ganhou esta
concessão? A imprensa diz que é o Botafogo, os
torcedores também, mas não é. O Botafogo
de Futebol e Regatas, se fosse em outro País sério,
já teria fechado suas portas. É um dos maiores
devedores de INSS no Brasil, fora outros impostos. Portanto,
estava impossibilitado de participar de uma licitação
pública. Como o Botafogo é o administrador do
Estádio se não poderia participar da concorrência?
Esta era a grande pergunta. E a resposta veio de forma simples.
Seus
dirigentes criaram uma empresa, com CNPJ limpinho, zeradinho,
sem restrição alguma para participarem do pregão.
É a empresa chamada BOTAFOGO S.A, cujos sócios
ninguém sabe quem são, e a imprensa também
não divulga, pois iria de encontro a certos interesses
(Montenegro/IBOPE, Bebeto moralizador do futebol etc). Essa
empresa (Botafogo S.A.) também é a que recebe
o dinheiro público da empresa LIQUIGÁS (subsidiária
da Petrobrás, portanto, empresa com capital público)
e repassa para o Botafogo Futebol e Regatas, o glorioso, razão
pela qual é estampado em suas camisas o nome LIQUIGÁS.
Pura manobra para burlar as Leis e prejudicar, de forma indireta,
os nossos aposentados.
Mas
voltando aos gastos do PAN, fica aqui uma indagação.
Quais os benefícios trazidos com o PAN? Visibilidade
ao nosso País lá no exterior? Pode ser. E os benefícios
tão falados na área social, como melhorias na
infra-estrutura da cidade, melhorias no transporte, melhorias
em saneamento, melhorias nas condições oferecidas
ao cidadão para a prática do esporte? Aconteceram?
Acredito que poucas.
As
previsões do legado que o PAN deixaria, lá quando
da Candidatura do Rio de Janeiro eram:
-
Da Barra da Tijuca, que abrigaria os 5.662 atletas e 70% das
competições, sairia uma nova linha de barca até
o centro, uma linha de metrô e um bonde até o aeroporto;
-
A engarrafada via expressa que liga o bairro à zona sul
seria duplicada;
-
Cinco lagoas da região seriam despoluídas;
-
Melhoria nos hospitais públicos, DENTRE OUTRAS.
Benefícios?
Praticamente nenhum. SOMENTE FESTA.
Agora
vem a Copa de 2014. Obras de melhorias nos estádios,
obras nas vias públicas para melhorias no trânsito,
melhorias no transporte coletivo, obras em aeroportos etc.
E
por ai vai o dinheiro público. HAJA DINHEIRO PARA TANTA
FALCATRUA.
E
a saúde? E a Educação? E a Segurança
Pública?
Brasil,
mostra a tua cara.
