*Pe.
Juliano Ribeiro Almeida
julianorial@gmail.com
Osama Bin Laden, o líder da Al-Qaeda, grupo que promoveu
os atentados terroristas aos Estados Unidos em setembro de 2001,
apareceu recentemente em mensagens na TV acusando o Papa Bento
XVI de ser responsável pelo que chamou de "nova
cruzada contra os muçulmanos". Ele falava do ódio
que o Ocidente estaria alimentando ao Islã, referindo-se
certamente a dois fatos concretos: a publicação
das charges em jornais europeus em que o profeta Maomé
era representado, e o discurso de Bento XVI numa universidade
alemã falando da relação da religião
com a violência e citando um muçulmano.
Bin Laden anda procurando motivos que justifiquem seus atentados
terroristas. Vive elegendo ícones para o seu fanatismo,
desculpas para extravasar o seu ódio que brota da deturpação
mais cínica da religião que professa. Até
então, ele se detinha nos chefes de Estados que considera
inimigos: Estados Unidos da América, Espanha, Inglaterra
etc... Agora ele resolveu inovar, usando, além de fundamentações
religiosas, um alvo também religioso: o líder
máximo do cristianismo, o Papa.
Se a Al-Qaeda tentasse e – Deus nos livre! – conseguisse
assassinar Sua Santidade o Papa Bento XVI, especialmente na
ocasião de sua visita planejada aos Estados Unidos neste
mês de abril, o mundo poderia entrar num colapso ainda
mais denso que o de 2001. Claro, se isso viesse a acontecer,
Bento não seria o primeiro Papa a sofrer atentado (basta
lembrar a tentativa de assassinado de João Paulo II em
1981), mas certamente estaria inaugurando um novo tipo de martírio,
o mais triste de toda a história do cristianismo; na
verdade, a destituição completa da virtude de
um mártir. Afinal, alguém morrer por ser um seguidor
de Jesus Cristo é uma honra imensa! Mas ser acusado de
seguir George W. Bush!? Isso é o máximo da desonra!...
Na Semana Santa, o Santo Padre pronunciou-se em resposta às
acusações de Osama Bin Laden, convocando os padres
do mundo inteiro a não temerem diante dessas afrontas,
mas a continuarem firmes diante dos perseguidores. O cristianismo
contemporâneo muito se aproximou dos muçulmanos,
tanto no diálogo como na cortesia. Os últimos
papas do século XX, sobretudo Paulo VI e João
Paulo II, visitaram mesquitas, receberam inúmeros líderes
do Islã em audiência, dirigiram mensagens por ocasião
do Ramadã e outras festividades desses que são
nossos "primos na fé". Afinal, os seguidores
de Maomé também se consideram descendentes de
Abraão, admiram Jesus Cristo e a Virgem Maria. Há
uma versão que diz que os árabes que no século
VII aderiram ao Profeta se entendiam descendentes diretos de
Ismael, o filho de Abraão com a escrava Agar, que fugiu
para o deserto.
Essas acusações da Al-Qaeda são o prenúncio
do que virá por aí para nós cristãos.
Aos poucos, iremos deixando de ser maioria na Europa, seja por
causa do ateísmo e agnosticismo crescentes, seja por
causa da grande entrada que os muçulmanos estão
empreendendo nos diversos países europeus. Eles geram
muito mais filhos que os cristãos, apegam-se muito mais
que nós às leis religiosas, deixam-se influenciar
pela fé infinitamente mais do que nós. Agora é
a hora do diálogo. Ou aprendemos a conviver com o diferente
agora, respeitando e conquistando o seu respeito, ou, permanecendo
na defensiva e no preconceito, sucumbiremos sob as suas jihads.
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*Pe.Juliano
Ribeiro Almeida é membro da Academia Calçadense
de Letras, sacerdote católico e exerce seu ministério
na paróquia Nossa Senhora do Amparo, Itapemirim-ES
