Márcio Garcia Seufitele Pinto
seufi@bol.com.br
Há dias venho pensando na sociedade.
Pensei em escrever algo sobre seus problemas. Pensei relações
sociais. Pensei em pecados, e também nos capitais.
Mas de pecados já vivem as religiões. E entendem
elas mais do que eu a esse respeito. Por conseguinte, deixo
a responsabilidade de sua explicação aos comandantes
de nossas milícias religiosas.
Remanescem os pecados capitais. Mas os pecados capitais baseiam-se
em excessos, e como não tenho nada em excesso (sou comum
e mais-ou-menos demais), opto por não abordar esse tópico
também.
Melhor falar sobre a falta. Assim, invento e apresento aos distintos
leitores os pecados sociais: Inércia, Intriga, Insensatez,
Imoralidade, Irresponsabilidade, Indiferença e Insatisfação.
Se percebestes, a alma humana oscila entre o excesso e a falta,
palco onde digladiam, segundo Dimitri Karamazov, Deus e o Diabo
(se é que este existe).
Comprometo-me a relatar estas pequenas mazelas, esta falta de
“qualquer coisa”, que torna-nos pusilânimes.
Para tanto, sete serão os textos com os assuntos supracitados.
Não esperem demais deles, como não o espero eu,
já que a proposta é trabalhar com a falta. Por
vezes, falta-me a energia e o ímpeto de iniciar qualquer
atividade comunitária (e acuso todos os leitores também,
à exceção daqueles que fizeram bem e pularam
para a coluna social, já que quanto mais sabeis, mais
responsáveis tornar-vos-ão). Falta-me mesmo outra
coisa a fazer e sou desprovido de sensatez também (pode
haver maior insensatez do que inventar pecados sociais?).
E o que dizer de nossa imoralidade? Não, não se
venha defender, leitor, que já explico-me. Entendei por
imoralidade não somente o indecoroso, o libidinoso, mas
também a afronta às conveniências por vós
mesmos impostas. Falta coerência ao texto? Talvez...
Certo é que falta a responsabilidade que temos pelas
ações dos demais. Aí já é
demais – podeis interpelar-me. Quer culpar-nos pelos erros
de outrem? É claro que sim. Culpo-vos, e torno a culpar-vos,
e provo vossa culpa. O Profeta já dizia que quem tropeça,
o faz pelos que vêm atrás, para que não
caiam e por aqueles que vêm à frente, pois sendo
mais rápidos não removeram “a pedra do meio
do caminho”. É uma ótima corroboração
ao que digo. Contestai?
Resta-me ainda a indiferença do que achais de minha proposta.
Não gostais? Enfastiais-vos? Melhor ainda! Vossa insatisfação
é provavelmente o que vos levará a procurar o
próximo texto. Mas pode haver uma incoerência:
Se não vos deleitastes com meu texto, por quê procurar
outro?
Porque falta algo. Porque sempre falta algo....
