PECADOS SOCIAIS I – INÉRCIA


Márcio Garcia Seufitele Pinto
seufi@bol.com.br


Conforme a acusação dirigida ao leitor no último texto de minha autoria , retorno ao assunto dos pecados sociais.

Como conceito, tomemos o conceito de Newton. Podemos tomar como base ainda o conceito químico, o figurado e todos o outros que os dicionários propõem.

O fato é que, mesmo sem entender minúcias relativas à Lei de Newton, percebo claramente suas proposições a esse respeito ao ver vizinhos dedicados inteiramente à divagação.

Não me arrisco a dizer que nada fazem. Podem tanto dedicar-se à intriga quanto à meditação dos grandes problemas da humanidade (?).

Vejo pela janela a inércia de meus vizinhos e pergunto-me, pergunto-vos: tanto a fazer, a criar, a descobrir e a teorizar e é justo/produtivo eles estarem ali ocupados comigo, pensando que não sei que comigo se ocupam? Sempre sentados e centrados, a falar, sendo que há fome, há miséria, há conhecimento.

Contentam-se eles com suas vidinhas, deixando de contribuir para o mundo. Por isso os critico, pois são responsáveis pelo mundo, tanto quanto os políticos inertes, os bons políticos ou mesmo eu.

Estamos todos a navegar no barco do destino, nas ondas do vasto oceano que é a vida e muitos não se põem a remar. E pior: ainda matamos socialmente quem a isso se predispõe.

Pelos motivos explicitados considero a Inércia um pecado social. A sociedade perde, perco eu, perdeis vós. E no fim da vida, o que poderemos contar a nossos filhos? Que plantamos uma árvore num coração deserto de sentimentos e cujos frutos (se a semente germinar) serão dos piores? Que fizemos filhos irresponsavelmente, entregando-os à sociedade piores do que ao nascerem e que serão apenas mais cimento na massa de manobra da mídia? Que escrevemos um livro cujo título é Inércia e o preenchemos com futebol, pornografia e programas de auditório?

O fato é que a vida passa. O tempo, com sua ínfima e constante capacidade corrosiva, vai roendo tudo. Esse corpo e nome não são imortais. Consegue a imortalidade apenas por boas ações, fé e pelo legado que se deixou à humanidade.
Para se poder, é necessário conhecer. Só se faz com conhecimento. Temos rica biblioteca, e a quantidade de freqüentadores assíduos é mínima. Depois de diz que a cidade não cresce. Enquanto não houver empenho na educação, não haverá empenho; no máximo melhorias.

Sei com a pleonástica “certeza absoluta” que me engano. Meus vizinhos e conterrâneos pensam mesmo nos grandes problemas da humanidade.

 



 

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